UE adota novas sanções contra o Irã por seu programa nuclear

Agência AFP

BRUXELAS - A União Europeia (UE) adotou nesta segunda-feira um novo pacote de sanções contra o Irã, que afetam principalmente seu setor energético, devido ao polêmico programa nuclear da República Islâmica. "As sanções foram adotadas durante uma reunião dos ministros das Relações Exteriores em Bruxelas", indicaram as fontes.

As novas medidas vão mais longe que as adotadas em 9 de junho pelo Conselho de Segurança da ONU contra o Irã por sua negativa de suspender as atividades de enriquecimento de urânio, que o Ocidente vê como indícios para a fabricação da bomba atômica.

"Será o pacote de sanções mais importante que a UE adotou contra o Irã ou qualquer outro país", destacou um diplomata europeu no fim de semana, antes do início da reunião.

Em particular, a UE decidiu proibir qualquer investimento europeu, assistência técnica ou transferência tecnológica no setor do gás e do petróleo.

Apesar de o Irã ser o quarto produtor mundial de petróleo, importa até 40% de sua gasolina porque carece de capacidade de refino para satisfazer sua demanda interna.

A Agência Internacional de Energia (AIE) já estimou, em um relatório recente, que as sanções internacionais "deveriam reduzir as necessárias importações de gasolina e de outros produtos" petrolíferos para o Irã e "afetar claramente", a longo prazo, o desenvolvimento das indústrias petroleiras e de gás.

O Irã não será o único afetado pelas sanções. Várias empresas europeias também serão punidas. "Vários Estados-membros (da UE) tiveram que superar problemas consideráveis, devido a seus interesses econômicos para aprovar o pacote" de sanções, destacou um diplomata.

Além da energia, o setor iraniano do transportes de carga, fundamentalmente a companhia marítima IRISL e suas filiais, serão muito afetados e serão intensificados os controles nos portos europeus.

A UE também tem a intenção de restringir as possibilidades de intercâmbios comerciais com o Irã, limitando os créditos à exportação, de ampliar a proibição da atividade dos bancos iranianos e de acrescentar quarenta nomes à lista de pessoas às quais não serão outorgados vistos europeus. Seu principal alvo é a Guarda Revolucionária, exército ideológico do regime.