Países latino-americanos acompanham crise entre Venezuela e Colômbia

Agência Brasil

BRASÍLIA - O rompimento das relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia provocou reação dos países vizinhos. Para os aliados do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a acusação do chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, de que a Venezuela abriga guerrilheiros, ameaça a estabilidade da região. Por enquanto, Cuba, um dos principais aliados de Chávez, não se manifestou.

O presidente pró-tempore da Comunidade Andina de Nações (CAN), o boliviano David Choquehuanca, disse estar preocupado com a crise. Para ele, há um colapso que pode afetar o bloco sub-regional. Integram a CAN Bolívia, Equador, Peru e Colômbia. As informações são da Agência Venezuelana de Notícias (AVN).

O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou a Colômbia de estimular a desestabilização no continente. Morales lembrou que, antes do episódio da denúncia de que integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército da Libertação Nacional (ELN) estariam abrigados em território venezuelano, houve autorização do governo colombiano para a instalação de bases militares dos Estados Unidos na região.

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, responsabilizou diretamente o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pelo desfecho da crise. Segundo ele, poderiam ter sido tomadas providências para evitar o rompimento das relações entre venezuelanos e colombianos.

Em Buenos Aires, o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner, disse que vai intensificar os esforços para superar o conflito. Ele evitou opinar sobre quem estaria com a razão. Segundo ele, a tarefa do secretário-geral do bloco não é emitir juízo de valor.

De Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ontem (22) à noite para Chávez e sugeriu que ele busque uma solução negociada para encerrar o impasse. O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou que a expectativa é de que o conflito se resolva em breve. Temos uma boa percepção de que há disposição dos dois governos, em um futuro próximo, de que isso venha a ser resolvido , disse ele.

A crise foi deflagrada ontem com o anúncio do rompimento diplomático feito por Chávez, depois de o embaixador da Colômbia na OEA, Luis Alfonso Hoyos, mostrar, durante sessão extraordinária do órgão, fotografias, vídeos e testemunhos que, para o governo da Colômbia, comprovariam a presença de 87 acampamentos e 1,5 mil guerrilheiros das Farc e do ELN em território venezuelano.