Navegante solitária de 16 anos chega à ilha de Reunião

Agência AFP

SAINT-DENIS - Cinco meses depois de zarpar da Califórnia sozinha, para uma volta ao mundo num barco à vela, a americana Abby Sunderland, de 16 anos, pisou terra firme neste sábado na ilha francesa de Reunião (Oceano Índico), "triste" por ter perdido seu veleiro.

"Os últimos meses foram os melhores de minha vida. Foi uma bela aventura, apesar de estar agora triste e decepcionada. O naufrágio não acabou com o meu sonho", declarou ao desembarcar no porto de Pointe des Galet do barco de patrulha "Osiris", que a trouxe de Port aux Français, no arquipélago de Kerguelen.

Abby Sunderland partiu, em janeiro, da Califórnia em seu veleiro "Wild eye", de 12 metros, para dar a volta ao mundo, para superar ou igualar o objetivo cumprido em 2009 por seu irmão mais velho.

Abby passou por uma tempestade no sul do oceano Índico no início do mês e a família perdeu contato com ela.

No dia 10 de junho, a moça ativou as balizas de socorro depois de ter perdido o mastro da embarcação, durante a tormenta, quando estava em frente à ilha Saint Paul, no sul do Oceano Índico, a 3.300 quilômetros da ilha de Reunião.

O Centro regional de Socorro e Salvamento de Reunião (CROSS) desviou imediatamente três navios ao setor e alertou as autoridades australianas.

No dia seguinte, Abby foi localizada por um avião australiano e recolhida pelo pesqueiro "Ile de la Reunion" num mar muito agitado. Finalmente, foi levada ao patrulheiro "Osiris".

Abby Sunderland partiu no dia 23 de janeiro no porto da Marina del Rey, oeste de Los Angeles, e chegou a atravessar com sucesso uma das partes mais perigosas de sua rota, o Cabo de Horn, que marca o limite norte da passagem Drake, que separa a América da Antártida e une o oceano Pacífico ao Atlântico.

Quanto atravessou esse corredor, disse ao jornal Los Angeles Times: "É o marco que estava esperando. É mais ou menos a parte mais difícil de minha viagem, e agora já passou. É estupendo estar aqui", afirmou de seu veleiro.

Logo depois, descreveu em seu blog "o vento está ficando muito forte, a até 20 nós e prevejo que antes da meia-noite possa chegar a entre 35 e 50 nós com picos de 60, então vou dormir antes que isto piore".

Abby é irmã de Zac Sunderland, que em julho de 2009 completou a volta ao mundo sozinho em um veleiro após 13 meses, em uma façanha que o colocou entre um dos mais jovens a ter cumprido este desafio.

O jovem, que festejou os 17 anos enquanto cumpria seu objetivo, disse, ao chegar, que esperava inspirar muitos jovens com sua travessia e ao mesmo tempo derrubar ideias comuns que os adultos têm sobre os adolescentes.

Abby queria ser a menina mais jovem a realizar a volta ao mundo, mas sua aventura não está isenta de críticas.

O colunista esportivo do Los Angeles Times T.J. Simers acusou em dezembro os pais de Sunderland de "abuso infantil" por permitirem que sua filha realizasse esta viagem, um mês antes da jovem iniciar a aventura.

"Por que permite que alguém de 16 anos fique em perigo? Por que um pai permite uma coisa assim?", perguntou-se Simers, descrevendo a missão de Sunderland como algo "ridículo, atroz, uma loucura incompreensível".

Em uma recente entrevista à ABC, os Sunderland se defenderam e apoiaram as façanhas de seus filhos.

"Poderia acontecer uma tragédia?", perguntou-se a mãe, Maryanne: "Sim, poderia. Mas poderia acontecer à noite a caminho de casa, ou dirigindo com seus amigos um automóvel aos 16 anos. Minimizam os riscos", respondeu a mãe, hoje grávida de oito meses.

Sorridente, vestida com uma camiseta rosa e um suéter com capuz, a jovem navegante foi recebida neste sábado, ao deixar a passarela da embarcação que a transportou pelo cônsul dos Estados Unidos nas Ilhas Mauricio, Peter Chisholm, pelo director do CROSS, Philippe Museux, e pelo irmão Zac.