Ambientalistas argentinos devem suspender bloqueio de ponte ainda hoje

Agência ANSA

BUENOS AIRES - Os ambientas argentinos que impedem há quatro anos o acesso à ponte internacional General San Martín, como forma de protesto contra a instalação de uma fábrica de pasta de celulose na região, avaliam suspender o bloqueio para iniciar uma negociação sobre o monitoramento da empresa.

Segundo um dos líderes do protesto, Oscar Vargas, os ambientalistas querem discutir com o governo da Argentina e do Uruguai uma estratégia para monitorar as operações da fábrica, instalada na fronteira entre os dois países e acusada pelos manifestantes de poluir o local.

Em entrevista à agência de notícias argentina Telám, Vargas informou que é possível que, nesta noite, os ambientalistas aprovem a suspensão do bloqueio por 60 dias.

"O que propomos é que, depois desta atitude, seja aberta uma nova janela de diálogos com o governo, porque há muito para conversar com os cidadãos", comentou Vargas, explicando que os manifestantes esperam uma ação concreta da gestão do presidente uruguaio, José Mujica, já que a empresa está localizada no país.

A fábrica de pasta de celulose UPM, ex-Botnia, opera desde 2007 na localidade uruguaia de Fray Bentos, que fica próximo ao Rio Uruguai, o qual delimita a fronteira dos dois países.

A instalação da empresa também fez com que Buenos Aires recorresse à Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, alegando que Montevidéu teria violado o tratado que rege a fronteira ao permitir que o empreendimento atuasse na região.

Em sentença divulgada em abril, o tribunal anunciou que a fábrica não polui a região, como defendem os ambientalistas, mas que o tratado foi violado. No entanto, não foi aplicada nenhuma compensação como pena.

No início de junho, o juiz argentino Gustavo Pimentel informou que existe um mandado judicial para que o governo garanta a livre circulação pela ponte. Buenos Aires, no entanto, anunciou que não irá usar da violência para cumprir a ordem, mas sim, abrir processos na Justiça contra os manifestantes.