Visita do papa a Chipre não será afetada por ataque de Israel

Agência ANSA

CIDADE DO VATICANO - A visita que o papa Bento XVI pretende fazer a Chipre entre os dias 4 e 6 deste mês não será afetada pelo ataque de Israel contra uma frota que transportava ajuda humanitária à Palestina, e que causou a morte de pelo menos nove pessoas nesta segunda-feira.

É "um evento muito triste e preocupante para o clima geral na área do Oriente Médio", afirmou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, mas "não terá influências sobre a viagem do papa a Chipre".

Durante a apresentação feita hoje sobre a visita, o representante da Santa Sé explicou à imprensa que o Pontífice ficará hospedado na Nunciatura Apostólica de Nicósia, capital do país. A sede diplomática está localizada na Linha Verde, zona divisória entre o território grego-cipriota e a área ocupada por tropas turcas desde 1974.

A proteção de Bento XVI no local ficará, portanto, confiada aos soldados da Organização das Nações Unidas (ONU) que controlam a Linha Verde, explicou Lombardi, ressaltando que a visita não se estenderá à parte da ilha dominada pelos turcos.

Chipre, independente desde 1960, foi dividido na década de 70 com a invasão ocorrida em resposta a uma tentativa de golpe de Estado promovida por militares pró-gregos. Os turcos ocuparam a parte norte do país, onde vivia uma maioria islâmica desta etnia, tomando controle sobre 40% do território.

O porta-voz informou que os grandes temas da viagem incluirão o diálogo ecumênico entre a Igreja de Roma e a Ortodoxa e que neste sentido, "a excelente relação" entre o Arcebispo de Chipre, Chrysostomos II, e o Patriarcado Ortodoxo de Moscou "é um elemento a levar em conta".