Um ano depois do acidente do voo AF447 famílias se reúnem

Agência AFP

PARIS - Centenas de parentes de vítimas do acidente com o voo da Air France Rio-Paris, que deixou 228 mortos, assistiram nesta terça-feira de manhã em Paris a uma cerimônia pelas almas de seus entes queridos, um ano depois do drama que permanece sem explicação.

O diretor da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, o secretário de Estado francês dos Transportes, Dominique Bussereau, e o chefe dos investigadores do Birô de Investigações e Análises (BEA), Jean-Paul Troadec, participaram dessa solenidade particular organizada pela companhia aérea Air France, com a expectativa de reunir mais de 1.150 pessoas, entre familiares das vítimas.

"Não espero grande coisa desta cerimônia, mesmo que seja apenas para prestar homenagem. Penso em meu irmão todos os dias", disse na entrada do Parque Floral, onde foi realizada a cerimônia, Said Benotmane, que perdeu seu irmão Kader, de 39 anos.

"Estou convencido de que nunca haverá uma resposta para o que aconteceu, mesmo que encontremos as caixas-pretas", acrescentou. "A Air France é uma grande multinacional e não tenho muita esperança..."

Julienne Owonolo, uma brasileira de 27 anos, que teve o pai morto na catástrofe, ainda mantém suas esperanças: "não sabemos a verdade no momento, mas acho que saberemos um dia".

No fim da tarde, o secretário de Estado dos Transportes anunciou que vai propor às associações das famílias das vítimas a criação de um "comitê de informação" para o andamento da investigação.

"Esse comitê, que reunirá as associações de famílias das vítimas (francesas e estrangeiras), deverá manter encontros regulares, principalmente com o BEA, a fim de fornecer às associações informações sobre a investigação, as buscas e os avanços", indicou em um comunicado.

Bussereau, criará esse comitê em uma primeira reunião ainda neste mês. Uma data será estabelecida depois que as associações forem consultadas, segundo o ministério.

O voo Air France AF 447, que faria a ligação Rio-Paris, caiu no mar no dia 1º de junho de 2009 na costa do Brasil, com 216 passageiros e 12 membros da tripulação a bordo. Não houve sobreviventes.

A falha das sondas de medição de velocidade Pitot foi um dos fatores que levaram ao acidente, mas essa falha por si só não pode explicar o que houve, segundo o BEA.