Liga Árabe debate as consequências do ataque israelense contra a frota

Agência AFP

CAIRO - A Liga Árabe começou a examinar nesta terça-feira, no Cairo, as consequências do ataque israelense contra uma frota de ajuda humanitária encaminhada à Faixa de Gaza, que deixou 9 mortos e motivou uma onda de indignação no Oriente Médio.

A pedido de Qatar, e com o apoio de Damasco e outras capitais, a Liga Árabe decidiu que a reunião extraordinária de embaixadores desta terça-feira fosse prorrogada até quarta-feira, com a participação de ministros de Relações Exteriores dos 21 países membros da organização pan-árabe mais o da Autoridade Palestina.

O Egito, um dos países árabes tradicionalmente mais moderados com Israel, fez um gesto para com os palestinos da Faixa de Gaza - submetido a um estrito bloqueio israelense - ao decidir a reabertura da passagem de fronteira de Rafah com o enclave controlado pelo movimento islamita Hamas.

O presidente Hosni Moubarak tomou a decisão poucas horas antes da abertura da reunião de embaixadores da Liga Árabe, precisando que, pelo local, deixaria passar a ajuda humanitária, além de permitir que os enfermos e feridos pudessem sair de Gaza.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, defendeu na segunda-feira uma "posição árabe coletiva" ante a operação israelense em águas internacionais.

Para Musa, com a operação contra a frota de ajuda humanitária, o governo israelense enviou "mensagem muito forte significando que não quer a paz".

Moubarak, cujo país foi o primeiro a assinar a paz com Israel, em 1979, denunciou o "uso desmesurado e injustificado da força por Israel", mas sem falar de sanções.

O primeiro-ministro libanês Saad Hariri e o presidente sírio Bachar al-Assad mostraram-se mais duros, insistindo em que a ONU "adote medidas concretas para terminar com os crimes de Israel, que ameaçam mergulhar o Oriente Médio numa guerra cujo impacto não se limitará aos países da região".