Israel: Lula prega diálogo para resolver conflitos na região

Luiz Orlando Carneiro, Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Em tom duro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou terça-feira o ataque de Israel ao comboio de ajuda humanitária.

As informações são de que o bombardeio foi feito em águas internacionais e que, portanto, Israel não tinha direito de ter feito o que fez disse Lula durante visita a uma fábrica da Volkswagen, no ABC paulista.

Espírito bélico

O presidente voltou a pregar o diálogo no lugar de ações armadas, como melhor forma de resolver os conflitos no Oriente Médio. Um dos responsáveis pelo acordo de Teerã, que resultou na concordância do governo iraniano em enviar para o exterior 1.200 quilos de urânio processado a 20%, o presidente Lula insiste no fim das sanções e na abertura de conversações de paz para desarmar o espírito bélico no Oriente Médio agravado com a ação de Israel.

Eu, sinceramente, estou convencido de que não é o uso de armas que vai garantir a paz. O que vai garantir a paz é muito diálogo, muito investimento em comida para acabar com a fome dos países mais pobres do mundo. Acho que os dirigentes precisam aprender a dialogar mais disse o presidente.

Dirigindo-se aos funcionários da Volkswagen, Lula explicou o resultado das negociações com o Irã. Ele lembrou que, em reunião que antecedeu o acordo, perguntou aos líderes das grandes potências, como o presidente da China, Hu Jintao, ao presidente dos EUA, Barack Obama, e à primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, se já haviam conversado com o governo iraniano.

Todo mundo falava mal do Irã, mas ninguém nunca tinha sentado no tête-à-tête. Depois de 18 horas de conversa, aquilo que os americanos não estavam conseguindo em 31 anos de negociações com o Irã, o Brasil e a Turquia alcançaram em 18 horas de conversa e o Irã resolveu sentar na mesa para conversar.

Amorim

O chanceler Celso Amorim afirmou, terça-feira, durante audiência no Senado, que o governo brasileiro exige a libertação imediata e incondicional da cineasta e ativista brasileira Iara Lee, radicada nos Estados Unidos, que escapou do ataque das Forças de Defesa de Israel ao comboio que levava ajuda humanitária aos habitantes da Faixa de Gaza. O ministro acrescentou que tal exigência não é só do Brasil, mas da própria ONU, ao falar da situação da brasileira, que se encontra detida na prisão de Be'er Sheva, em Israel.