Israel: ataque a comboio humanitário divide juristas

Evelyn Soares, Jornal do Brasil

RIO - O ataque ao comboio humanitário, perpetrado na segunda-feira por Israel em águas internacionais, suscitou uma divisão em especialistas de Direito Internacional.

Heni Ozi Cukier, cientista políticos e mestre em Resolução de Conflitos Internacionais, acredita que as intenções do grupo de ativistas eram de, além de mobilizar a opinião pública em prol da causa palestina, criar uma divisão de opiniões de países aliados a Israel como uma cisão interna.

Tem muita gente inocente ali, com propósitos altruístas, mas a essência, por natureza, é de manipulação política, e não um propósito humanitário afirmou.

Ligações terroristas

O cientista político lembra que Israel tentava, há pelo menos uma semana, negociar o envio da ajuda através do próprio Estado, sem a intervenção dos ativistas, que não aceitaram a proposta e afirmaram, segundo o lado israelense, que queriam furar o bloqueio a Gaza.

Há evidências concretas das ligações do grupo com o Hamas embasou.

Apesar do apoio, Cukier afirma que a situação é complexa e que, devido à resposta dos soldados israelenses à possível agressão dos ativistas, é difícil tentar entendê-la a sangue frio pela distorção política.

O navio atacado, mesmo que tenha bandeira turca, não é território turco, pois ultrapassou o bloqueio. Em relação a um possível sequestro dos ativistas detidos em Israel, ele afirma que as prisões foram efetuadas porque estavam violando um bloqueio militar daquele país.

Agressão

Richard Folk, professor de Direito Internacional e relator especial da ONU para Palestina, afirma que o ataque ao navio não constituiu uma atitude pirata (e sim terrorismo de Estado). Mas, além de uma agressão, foi uma violação do direito à liberdade de navegação em águas internacionais.

Só os passageiros podem alegar autodefesa, pois estavam desarmados quando do ataque israelense. Não há argumento legal para interferência tão letal a uma missão humanitária disse.

O acordo que os ativistas assinaram para serem deportados são, na verdade, documentos em que deveriam atestar que entraram ilegalmente no país. Quanto à questão, Folk afirmou que isto é um abuso aos direitos humanos, e que esta não é a postura de uma democracia constitucional.

Israel tem tratado o desenvolvimento dos fatos de maneira que a legitimidade do Estado deve ser questionada, encoraja a campanha de um boicote e o empurra a sanções afirmou.