Conselho de Segurança volta a condenar a ação de Israel

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Um dia depois do ataque da Marinha israelense contra a frota de seis navios que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza, as críticas a Israel continuam unânimes na comunidade internacional. Reino Unido, França, Rússia e China, quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, depois de uma reunião na madrugada de terça-feira, exigiram o fim do bloqueio a Gaza.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também defende o fim do bloqueio da Faixa de Gaza:

Se os israelenses tivessem levado o pedido da comunidade internacional de suspender o bloqueio, este trágico incidente não teria ocorrido.

A embaixadora do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse no dia do ataque: o incidente deve ser totalmente esclarecido à luz da lei internacional e o bloqueio de Israel contra Gaza, levantado imediatamente .

O principal aliado de Israel, os EUA, manifestou-se, através da secretária de Estado, Hillary Clinton. Embora não tenha condenado a ação militar que provocou dez mortes, e tenha pedido cautela por parte de outros países no julgamento de Israel, Hillary mostrou sinais de que os EUA querem resolver a questão de Gaza:

A situação em Gaza é insustentável e inaceitável. As necessidades legítimas de segurança por parte de Israel precisam ser garantidas, assim como as necessidades legítimas dos palestinos por assistência.

O chanceler israelense, Avigdor Liberman, afirmou terça-feira, segundo nota da imprensa divulgada pela Embaixada de Israel em Brasília, que não há crise humanitária em Gaza. Nós transferimos toneladas de suprimentos todos os dias. Todos os países que transferiram ajuda humanitária se comportaram de forma correta, enviando primeiro a carga para Ashdod, onde é verificada, e de lá, transferida para a Faixa de Gaza , explicou.

O primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, afirmou por sua vez Israel deve ser castigado pelo massacre sangrento e advertiu o Estado hebreu sobre o risco de pôr à prova a paciência da Turquia. A Turquia, que até há pouco tempo era sua principal aliada na região. O navio atacado por Israel era de bandeira turca.

Este ataque irresponsável e insolente de Israel foi realizado contra a legalidade e pisoteando a honra.

O Vaticano também se pronunciou sobre o caso: A ocupação israelense dos territórios palestinos torna difícil a vida cotidiana para a liberdade de movimento, a economia e a vida social e religiosa da população .

A Rússia e a União Europeia condenaram o uso excessivo de força por Israel contra embarcações que tentavam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e exigiram um inquérito total e imparcial , além do fim do bloqueio econômico.

Enquanto isso, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, ordenou a abertura do terminal de Rafah com a Faixa de Gaza, a única passagem do exterior para este território palestino não controlada por Israel, para o envio de ajuda humanitária e a transferência de doentes.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, que reúne mais de 40 nações, fez também uma reunião e acusou o Israel de ignorar e violar a lei humanitária internacional.