Brasil quer libertação "imediata" de brasileira, diz Amorim

Claudia Andrade e Evie Gonçalves, Portal Terra

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que o governo brasileiro está pedindo a Israel que liberte a brasileira Iara Lee sem fazer exigências. A cineasta estava no barco atingido por soldados israelenses em águas internacionais em operação que deixou pelo menos nove mortos.

"Esperamos isso não só porque ela é uma cidadã brasileira, totalmente pacífica e pacifista, mas também porque, agora, é uma exigência do Conselho de Segurança das Nações Unidas que todos os presos ou apreendidos sejam liberados imediatamente", afirmou.

O ministro explicou que a primeira versão que teve acesso é que o telefone do encarregado de negócios brasileiro foi confiscado porque a cineasta usou o aparelho dele para falar com uma emissora de televisão.

Em seguida, o ministro soube que não quiseram libertar Iara Lee imediatamente porque ela não quis assinar um documento que declarava que ela entrou em Israel ilegalmente. "Isso é um absurdo, afinal ela foi presa em área internacional, em águas internacionais", disse o ministro.

Questionado se o ataque de Israel poderia desfavorecer as possíveis sanções ao Irã por causa do programa nuclear do país, o ministro disse que prefere se ater às conseqüências imediatas do ataque. "Essa ação humanitária só ocorreu porque houve o bloqueio de Gaza. Parte-se do pressuposto de que uma coisa ruim pode trazer uma coisa boa. Isso às vezes acontece, mas eu prefiro não dar nenhum valor positivo a uma coisa negativa".

Audiência pública

O ministro Celso Amorim participou, nesta terça-feira, de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do Senado Federal, sobre a posição brasileira em relação ao Programa Nuclear do Irã.