Israel incita revolta no mundo

Evelyn Soares , Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Para muitos países, era um comboio de seis navios, com mais de 700 pessoas de 50 nacionalidades que levariam 10 mil toneladas de ajuda médica, comida, roupas e outros materiais à Faixa de Gaza. Mas, para Israel, eram terroristas que afrontaram o Estado ao tentar romper o bloqueio a Gaza, instaurado em 2007, quando o Hamas assumiu o controle da região. O ataque da Marinha israelense à embarcação turca Mavi Marmara, que ainda estava em águas internacionais, a 60 km da costa, deixou pelo menos 10 mortos, em sua maioria cidadãos turcos, e outros 30 feridos. Na chegada ao porto de Ashdod, 32 ativistas foram presos e 12 foram hospitalizados. O governo de Israel informou que os ativistas serão deportados, e quem não assinar o termo de repatriação continuará detido. O ataque despertou indignação e revolta da comunidade internacional.

A bordo da Frota da Liberdade estavam o prêmio Nobel da Paz de 1976, o egípcio Anwar Al Sadat o sobrevivente do Holocausto, Hedy Epstein; três membros do Parlamento alemão; quatro italianos; o líder islamita radical Raed Salah; 11 americanos, inclusive um ex-embaixador; uma equipe de jornalistas da Al Jazeera e uma brasileira, a cineasta Iara Lee.

Amparados pela escuridão, os soldados israelenses saltaram do helicóptero no barco turco Mavi Marmara e começaram a disparar no momento em que pisaram no convés contaram os ativistas à agência AFP antes que as ligações fossem cortadas.

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, interrompeu uma viagem a América Latina para responder ao ataque em Ancara. Em entrevista, acusou Israel de terrorismo de Estado .

O ataque demonstra que Israel não quer a paz na região afirmou. Esta ação, totalmente contrária aos princípios da lei internacional, é um terrorismo de Estado desumano. Ninguém deve pensar que ficaremos quietos diante disso.

Aceitando um pedido do governo turco, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir a questão, e a União Europeia prometeu abrir investigação para apurar os fatos. Uma reunião especial da Otan está prevista para terça-feira.

Em Ancara, o embaixador israelense, Gaby Levy, foi convocado pelo governo turco para dar explicações sobre o incidente. Brasil, Egito, Espanha, Reino Unido, França e outras nações fizeram o mesmo. Como forma de protesto, a Turquia ordenou o retorno de seu embaixador em Israel, ação tomada também por Espanha e Grécia.

Defesa

O governo de Israel alega que os ativistas a bordo da frota eram terroristas, que mantinham ligações com a jihad internacional, com Al Qaeda e Hamas , e lamentou as mortes ocorridas. Israel disse que o governo tentou sem sucesso negociar com os ativistas e que a ação dos soldados foi preventiva.

As intenções dos organizadores eram violentas, seus métodos eram violentos e os resultados foram violentos disse o vice-chanceler israelense, Daniel Ayalon.

O premier Benjamin Netanyahu cancelou uma visita aos EUA, onde se reuniria terça-feira com Barack Obama.

Durante uma conversa por telefone com Netanyahu, Obama assumiu uma postura cautelosa, pedindo apenas que sejam reveladas as circunstâncias exatas da abordagem e lamentando a perdas de vidas humanas, mas evitando uma condenação ao ataque.

Ao aportar em Ashdod, alguns israelenses demonstraram apoio à ação do Exército. Entretanto, manifestações contrárias ao ato foram realizadas em todo o mundo. Em Ancara e Istambul houve tentativas de invasão aos consulados e às embaixadas israelenses. Em Gaza, na Síria, no Líbano, no Paquistão e na Grécia, milhares se reuniram para demonstrar sua revolta.

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, afirmou que, apesar dos danos causados pela operação israelense, o cerco de Israel é agora um assunto internacional, e consideramos que os ocupantes, por causa desse crime, é que estão sitiados agora .