Ataque israelense contra ativistas pró-palestinos deixa 10 mortos

Agência AFP

JERUSALÉM - O Canal 10 da televisão israelense informou que 19 passageiros morreram e 26 foram feridos no ataque militar de Israel contra uma frota que transportava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, na madrugada desta segunda-feira.

A ação violenta aconteceu na véspera de um encontro em Washington entre o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Informações não confirmadas divulgadas pelo canal de TV Al-Aqsa, do grupo radical Hamas, destacam que os soldados israelenses mataram mais de 20 passageiros, incluindo nove turcos.

A imprensa local também informou que o líder árabe israelense islamita Raed Salah ficou gravemente ferido. O governo israelense acusou os membros da flotilha de terem provocado a violência. "Eles desencadearam a violência", declarou à AFP o porta-voz do primeiro-ministro Netanyahu, Mark Regev.

"Fizemos todos os esforços possíveis para evitar este incidente. Os militares foram instruídos para uma operação policial e deviam observar o máximo de moderação", completou.

"Infelizmente foram atacados com extrema violência por pessoas no barco, com barras de ferro, facas e tiros", destacou Regev.

O governo da Turquia advertiu Israel para as "consequências irreparáveis" nas relações bilaterais.

"Condenamos energicamente as práticas desumanas de Israel", afirma a chancelaria turca em um comunicado.

A União Europeia (UE) pediu uma "investigação completa" das autoridades israelenses sobre as circunstâncias do ataque e reiterou o pedido de uma abertura "incondicional" de Gaza à ajuda humanitária e ao comércio.

A Espanha, que exerce a presidência semestral da UE, convocou o embaixador de Israel para pedir explicações.

O presidente palestino Mahmud Abbas afirmou que o ataque foi "uma matança" e decretou três dias de luto nos territórios palestinos.

A Autoridade Palestina exigiu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para debater o ataque e a Liga Árabe qualificou a operação de "crime".

O movimento radical palestino Hamas convocou árabes e muçulmanos a uma revolta diante das embaixadas de Israel.

A censura militar israelense proibiu a divulgação de qualquer notícia sobre as vítimas provocadas pelo ataque.

A flotilha, que tinha mais de 700 passageiros, cumpria a última etapa de uma missão humanitária para entregar quase 10.000 toneladas de ajuda a Gaza, território submetido a um bloqueio israelense desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle do local.

Os barcos começaram a navegar em direção a Gaza a partir de águas internacionais diante do Chipre na tarde de domingo e tinham previsão de chegar à Gaza durante a madrugada.

Seis horas depois da partida da flotilha, três embarcações israelenses zarparam de Haifa com a missão de interceptar a viagem.

Durante o fim de semana, Israel qualificou o comboio de ilegal e advertiu que apreenderia os barcos.