Amos Guiora, jurista israelense: Piratas não dariam aviso prévio

Joana Duarte , Jornal do Brasil

RIO - Para o jurista israelense Amos Guiora, a operação humanitária era, na verdade, um ato calculado de provocação política para prejudicar a imagem de Israel.

Qual é a sua interpretação do ataque?

A operação foi sem dúvida um ato de provocação política muito bem organizado para sujar a imagem de Israel e colocar o país em uma situação sem possibilidade de sucesso. Israel havia deixado bem claro que a ajuda chegaria a Gaza depois de passar por uma revista, mas que os tripulantes não poderiam desembarcar no território palestino. Israel até prometeu comprar passagens de avião para levar os tripulantes ativistas de volta a seus países de origem. Soldados israelenses se aproximaram das embarcações e pediram que parassem. Havia seis embarcações, cinco das quais obedeceram às ordens de Israel. Apenas um navio turco que levava membros de uma organização humanitária turca resistiu, atacando brutalmente os soldados israelenses. A grande questão geoestratégica é saber qual o verdadeiro papel do governo turco neste incidente. A Turquia está se tornando um país cada vez mais islamizado, aliando-se ao Irã e à Síria.

Israel agiu em legítima defesa?

Israel havia deixado bem claro sua determinação de verificar tudo o que entra em Gaza. O direito internacional exige que um Estado dê notificação prévia antes de qualquer ato de agressão em autodefesa, e Israel cumpriu essa obrigação. Muitas nações atuam militarmente fora do seu território, como os EUA no Afeganistão, e isso implica em uma articulação ampliada do direito de autodefesa. Todos os que foram feridos durante o confronto foram resgatados por helicópteros israelenses, estão sendo tratados por médicos israelenses em hospitais israelenses.

Alguns juristas argumentam que os tripulantes do navio invadido pelos soldados israelenses teriam o direito de usar a força para repelir os soldados, que teriam agido como piratas...

Piratas não dão aviso prévio nem oferecem garantias às suas vítimas. Os ativistas não agiram de maneira pacífica.

Este confronto deve interferir com as negociações de paz?

O presidente palestino Mahmoud Abbas já se apressou em divulgar um comunicado dizendo que Israel cometeu um massacre. Portanto acho que este confronto deve interferir, sim, com as negociações de paz.