EUA acusam África do Sul de lentidão no combate ao terrorismo

Portal Terra

SÃO PAULO - O serviço de inteligência da África do Sul foi criticado pelo Congresso Americano por uma suposta lentidão nas reações às ameaças terroristas que teriam como alvo a Copa do Mundo de futebol. Segundo o jornal Sunday Times, o diretor da fundação NEFA, Ronald Sundee, alertou o governo dos Estados Unidos sobre os riscos de ataques durante o evento.

Sundee afirma que paquistaneses e militantes da Somália estão alojados em campos de treinamento terroristas no norte de Moçambique e que eles podem ter cruzado a África do Sul para aderir ou planejar ataques durante o Mundial que será realizado pela primeira vez no continente africano. De acordo com informações do jornal, a Al-Qaeda e seus aliados somalis, Al-Shahaab, seriam os responsáveis pelas ameaças.

Muitos esforços vem sendo feitos e os sul-africanos afirmam estar bem preparados para combater possíveis ataques terroristas. Na quarta-feira, o Centro Nacional Operacional Conjunto foi ativado em uma base militar não divulgada em Pretória. Ali, seria coordenada todo o planejamento de segurança e as estruturas de inteligência para garantir a segurança do evento incluindo a proteção 24 horas das equipes e dos funcionários. De acordo com duas pessoas envolvidas no esquema de segurança, foi elaborada uma lista de 40 nomes suspeitos.

Neste mês de maio, um coronel do exército saudita foi detido no Iraque por supostamente conspirar com a Al-Qaeda para atacar a Copa do Mundo, mas a informação foi negada pelo secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, nesta quarta-feira. Um dia antes, a Al-Qaeda havia divulgado um vídeo negando qualquer envolvimento no suposto complô.

No entanto, fontes do serviço de inteligência americano, bem como documentos informativos visto pelo Sunday Times, e extensas entrevistas com especialistas em segurança contra o terrorismo sugerem que as autoridades locais podem estar tentando transmitir "uma falsa sensação de segurança".

Antigo oficial da marinha e investigador do Instituto Sul-Africano de Relações Internacionais, Frank van Rooyen ainda corroborou as acusações americanas. Ele afirmou que o país organizador do Mundial é "definitivamente vulnerável a homens-bomba e a carros-bomba". Ainda completou avaliando que "todos os sinais de que a Al-Qaeda planeja um ataque na Copa estão aí".