BP sabia do risco de vazamento de óleo há quase um ano

Agência AFP

PARIS - Os documentos internos da empresa British Petroleum (BP) mostram que houve sérios problemas e preocupações de segurança com a plataforma Deepwater Horizon muito mais cedo do que os descritos pela empresa ao Congresso americano na semana passada. Em março, após várias semanas de problemas no equipamento, a BP lutava contra uma "perda de controle" do poço. E há 11 meses, já havia a preocupação com o revestimento do local de exploração. No dia 22 de abril, a plataforma Deepwater Horizon explodiu e afundou no Golfo do México, provocando um vazamento de 2 a 3 milhões de litros por dia desde então.

Em 22 de junho, os engenheiros da BP expressaram preocupações de que a caixa metálica que a empresa queria usar poderia entrar em colapso sob alta pressão, segundo o jornal The New York Times. "Isso certamente seria o pior cenário", advertiu Mark E. Hafle, um engenheiro de perfuração sênior em um relatório interno. Os trabalhos prosseguiram após uma permissão especial da empresa. Os documentos divulgados ao jornal revelam que funcionários sabiam que a opção escolhida foi a mais arriscada.

No sábado, a BP admitiu que a última e arriscada operação para tentar conter o vazamento fracassou, e acrescentou que buscará uma nova estratégia. Agora, os esforços serão concentrados em cortar canos danificados que estão no fundo do oceano, para que depois seja instalado um receptáculo ou contêiner para acumular o petróleo despejado, para depois bombeá-lo para a superfície.