Acordo nuclear com Irã não pode ser desperdiçado, diz Lula

Claudia Andrade, Portal Terra

BRASÍLIA - Um acordo de troca de combustível com o Irã mediado por Brasil e Turquia, com o objetivo de amenizar os temores internacionais sobre o programa nuclear de Teerã, é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira.

Em entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, Lula disse que os envolvidos em negociações nucleares com o Irã precisam pensar em diálogo e não em confronto.

Para ele, fazer política exige "mais parceria, transparência e diálogo" e "truculência" não resolve nem problemas domésticos. "O Irã está cumprindo até agora o que prometeu. Sobre sanções, vamos aguardar e ver o que acontece. A agência (internacional de energia atômica das Nações Unidas) tem a carta do Irã. Leia, estude, discuta", disse.

O presidente usou até uma fábula para rebater as críticas dos países ocidentais ao acordo fechado. A fábula da raposa e das uvas conta que o animal tentou alcançar as frutas e, como não conseguiu, desistiu e ainda disse que "a uva não presta mesmo".

"Por que depois de nós fazermos o que a agência e o Conselho de Segurança não conseguiram fazer, por que não aceitar o que está no documento?". Lula, acrescentando que agora os países devem dizer "se querem construir uma possibilidade de paz ou de conflito". "A Turquia e o Brasil são pela paz".

Inveja

O primeiro-ministro turco também comentou o assunto e disse que, junto com o Brasil, seu país "assumiu a responsabilidade" diante da delicada questão. "Aqueles que criticam esse processo são invejosos. Nós trabalhamos com aquilo que foi anteriormente exigido. Não precisamos de permissão de ninguém para agir. Não somos advogados de ninguém".

Erdogan endossou as palavras ditas por Lula instantes antes, quando o brasileiro afirmou que os dois países "não têm procuração nem quer ter" para tratar da questão do Irã.

Lula afirmou que é preciso disposição e boa vontade para que se chegue a um acordo. "É preciso arejar a cabeça dos negociadores. É preciso que eles saiam de casa pensando na paz, não na guerra, pensando no diálogo, não no confronto".