Acordo foi primeiro compromisso escrito do Irã, diz Amorim

Claudia Andrade, Portal Terra

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse nesta terça-feira que o acordo assinado na segunda-feira, com mediação brasileira, foi a primeira vez que o Irã aceitou por escrito um acordo nuclear. Pela combinação, o país deve remeter o urânio levemente enriquecido, a 3%, para a Turquia, e receberá o produto enriquecido a 20%.

Amorim disse que o Irã se comprometeu a escrever uma carta para a Agência de Energia Atômica das Nações Unidas (AIEA), uma comunicação por canais oficiais. "Isso é relevante porque uma das críticas que nós ouvíamos é que o Irã fazia uma proposta para a Turquia ou Brasil, mas não para a agência".

"Nós botamos a bola na área, quem tem que fazer o gol é o cinco mais um", afirmou, em referência ao Conselho de Segurança da ONU, formado por cinco membros permanentes (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos) mais a Alemanha. O grupo se reúne para discutir os termos do acordo.

O ministro afirmou ver "avanços significativos" no impasse nuclear iraniano, acusado pelas potências ocidentais de ser um disfarce para a produção de armas nucleares, o que Teerã nega. Para Amorim, o acordo cria uma "oportunidade para solução negociada". "Eu tenho confiança que dará certo", disse. O ministro afirmou também que confia no bom senso dos envolvidos na questão.

"Nós não estamos defendendo o Irã, temos boas relações, mas não temos relações profundas para defender. Defendemos sim a paz internacional, a Justiça e a norma internacionais", disse o chanceler brasileiro, acrescentando que o objetivo da intermediação foi o de evitar decisões "que podem levar a situações mais graves".

O ministro disse que "pessoalmente, não tem nenhuma razão para acreditar" que o Irã tenha um objetivo militar. E que a "maior garantia de que não está havendo desvio" é a presença dos inspetores da Agência de Energia Atômica das Nações Unidas (AIEA). Sobre o fato de esta garantia não estar prevista no acordo fechado, o ministro disse que a questão está presente de forma "implícita" e que a presença dos inspetores "nunca foi contestada".

Questionado sobre como ficaria a imagem do Brasil em caso de descumprimento do acordo por parte do Irã, o chanceler respondeu com uma crítica. "No caso de que se descubra, como se descobriu no caso do Iraque, que toda ideia das armas de destruição em massa em posse de Saddam Hussein era uma fantasia, como é que ficou a posição de quem defendeu essa posição bélica?"

"Temos uma chance sim, para uma solução pacífica e negociada. Aqueles que desprezarem essa chance ou que acharem que através de sanções ou de outras medidas chegarão mais perto, então eles assumirão suas responsabilidades, assim como nós assumimos as nossas".