Indígenas se afastam de Evo e Correa

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Indígenas e sindicalistas da Bolívia e do Equador, parte do eleitorado que costuma respaldar as decisões dos presidentes Evo Morales, boliviano, e Rafael Correa, equatoriano, vêm demonstrando um crescente desencanto com as guinadas políticas de seus mandatários. Nas últimas semanas, a dinâmica de ambos os governos vêm se chocando com as exigências e a agenda dos mesmos setores que ajudaram a elegê-los

Começou segunda-feira, na Bolívia, uma greve por tempo indeterminado, convocada pela Central Operária Boliviana (COB), principal força sindical do país, para exigir melhores salários. Trata-se do primeiro distanciamento sério entre o presidente Morales e parte de sua base de apoio as centrais sindicais.

A COB, que reúne a totalidade dos sindicatos bolivianos, considerou insuficiente o aumento de 5% nos salários dos funcionários públicos proposto pelo governo. Os sindicatos pediram aumentos salariais entre 12% e 26,5% este ano. Segundo os órgãos da imprensa local, 39 dos 50 setores afiliados à COB aderiram a greve.

Quando começou seu mandato, em 2006, Morales contava com o apoio das quatro maiores organizações indígenas do país, mas já perdeu o apoio de duas delas: o Conselho Nacional de Ayullus e Markas do Collasuyo e a Assembleia do Povo Guaran. A perda de apoio entre os índios pode ser confirmada pelo crescente número de bloqueios em estradas, greves e passeatas.

No Equador, o apoio indígena, em 2006, impulsionou Correa para a Presidência. O apoio indígena era tão evidente que, em 2007, Correa tomou posse em uma cerimônia simbólica realizada na comunidade indígena de Zumbahua, ao sul de Quito, na presença de milhares de nativos e simpatizantes. Hoje, o governo de Correa vem denunciando que setores indígenas pretendem derrubá-lo, por protestarem contra uma proposta de lei de regulamentação de água, que é vista como sendo discriminatória para a população indígena.

Eles querem derrubar Correa porque ele não lhes deu tudo o que pediram explicou o vice-ministro da Secretaria dos Povos Indígenas, Orlando Pérez falando para a rádio Sonorama.

Na terça-feira passada, milhares de indígenas equatorianos bloquearam os acessos ao Congresso em Quito para protestar contra o projeto do governo sobre os recursos hídricos, que segundo eles vai privatizar a água.