Otan desfila na Praça Vermelha

Jornal do Brasil

MOSCOU - A Rússia celebrou neste domingo o 65º aniversário da vitória da União Soviética e dos aliados sobre a Alemanha nazista com o tradicional desfile na Praça Vermelha. Pela primeira vez na história, tropas de países membro da organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estiveram presentes.

Diversos chefes de estado prestigiaram o evento, como a chanceler alemã, Angela Merkel; o presidente chinês, Hu Jintao e o presidente israelense, Shimon Peres. Após o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, passar os militares em revista, o presidente Dmitri Medvedev abriu a parada com pronunciamentos.

Há 65 anos, o nazismo foi vencido e uma máquina de extermínio de homens foi detida declarou. Houve sangue e lágrimas. Não havia outra escolha entre a vitória ou a escravidão. A guerra nos tornou um Estado forte.

Além dos 10, 5 mil soldados russos, cerca de mil representaram, além da Otan, outros estados da antiga URSS; dentre eles, havia três mil veteranos, sendo cerca de 200 procedentes de outros 24 países. Na abertura, oito militares marcharam, sob o radiante sol junto aos muros do Kremlin, carregando as bandeiras russa e soviética. Também circularam 169 veículos entre blindados, carros de combate, nove tanques T-34 e plataformas móveis com mísseis Topol-M, considerada a arma mais temível do arsenal russo.

A febre militarista tomou conta dos russos antes de ocorrer o maior desfile programado pelo governo desde o fim da URSS. Mesmo com a empolgação de muitos, a presença das tropas da Otan gerou uma reação negativa dos comunistas.

Em entrevista ao site Pravda, o secretário do Partido Comunista, Oleg Kulinov, relatou que o partido recebeu telefonemas e mensagens, de veteranos de guerra e cidadãos, indignados com a presença de militares da aliança. Para ele, a participação é tão estranha que a nova Doutrina Militar da Federação da Rússia, aprovada em fevereiro deste ano, considera a política do Tratado do Atlântico Norte entre as principais ameaças externas militares . Para eles, isto é uma injustiça e um insulto aos veteranos russos que combateram os alemães na Grande Guerra Patriótica .