Marido de muçulmana multada por usar véu defende a poligamia

Agência AFP

AFP - O marido da francesa que foi multada por dirigir com o niqab - o véu islâmico integral - se defendeu nesta segunda-feira das acusações de poligamia e disse que as "as amantes não são proibidas na França, nem pelo islã".

- Entendo que as amantes não são proibidas na França, nem pelo islã. Talvez pelo cristianismo, mas não na França - afirmou Lies Hebbadj, o argelino que em 1999 obteve a nacionalidade francesa ao casar com Anne, nome de batismo da motorista multada em abril em Nantes.

Assim Hebbadj, que tem uma loja, e que desde a semana passada é destaque na imprensa do país, respondeu à ameaça do ministro do Interior, Brice Hortefeux, de cassar a nacionalidade francesa dele por suposta poligamia e fraude às prestações sociais francesas. Hebbadj teria 12 filhos com quatro mulheres.

0 Se a nacionalidade for cassada por ter amantes, muitos franceses perderiam a nacionalidade - disse Hebbadj com ironia.

No domingo, o procurador da República de Nantes, Xavier Ronsin, disse não ter recebido nenhuma ação por fraude e explicou que este crime nem o de poligamia podem ser usados como alegação para a perda da nacionalidade.

Nesta segunda-feira, o ministro francês da Imigração, Eric Besson, admitiu nesta segunda-feira que os fundamentos jurídicos para retirar a nacionalidade francesa do muçulmano são incertos.

- É muito controverso. Me reuni com especialistas e alguns me disseram que sim e outros me disseram que não - declarou Besson.

A polêmica explodiu alguns dias depois do governo anunciar que apresentará um projeto de lei para proibir o uso do véu islâmico integral - burka ou niqab - em todos os espaços públicos, inclusive nas ruas.

Na França, que tem a maior comunidade muçulmana da Europa com seis milhões de pessoas, apenas 2.000 mulheres usam a burca ou o niqab.