Lula deve discutir temas polêmicos em encontros com Chávez e Lugo

Agência Brasil

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá uma agenda internacional intensa nesta semana. Ele tem encontros marcados com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Paraguai, Fernando Lugo. Em pauta, temas polêmicos e que geram impasse.

Com Chávez, Lula deve conversar sobre as tensões do venezuelano às voltas com as eleições parlamentares e as críticas internas e externas decorrentes da crise energética. A conversa vai ser dia 28, em Brasília.

Crítico do governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de seus aliados, Chávez gera controvérsias constantes. De acordo com diplomatas, Lula deverá aconselhá-lo sobre a necessidade de suavizar o discurso, uma vez que daqui a cinco meses enfrentará eleições parlamentares e há possibilidade de a oposição obter boa parte das 167 cadeiras da Assembleia Nacional atualmente dominada pelo governo.

O próprio Chávez sabe desta possibilidade, segundo analistas brasileiros. Tanto é que há duas semanas apelou para que sua legenda, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), intensifique seus esforços para obter maioria. Ao mesmo tempo, o governo venezuelano sofre com as pressões internas decorrentes da crise energética acirrada no final do ano passado e suas consequências: problemas de abastecimento de água e alimentos.

Em Brasília, Lula e Chávez deverão reafirmar a amizade que os une. Durante a visita deverão ser assinados acordos bilaterais incluindo as áreas de processamentos de grãos, de siderurgia, energia e infraestrutura.

No encontro com Lugo, no dia 30, em Ponta Porã (Mato Grosso do Sul), Lula vai tentar justificar a demora na concretização do plano de compensações financeiras relativas à comercialização de energia gerada pela Hidrelétrica de Itaipu Binacional. O principal ponto de controvérsia é a recomendação de elevar o repasse de cerca de US$ 110 milhões/ano para US$ 320 milhões/ano por parte dos brasileiros para os paraguaios.

Os termos do tratado estão à espera de discussão e votação no Congresso. Não há data para votação. Um dos objetivos é permitir que o Paraguai venda energia, no mercado brasileiro, sem a mediação da empresa estatal Eletrobras. Paralelamente, os dois presidentes vão conversar também sobre a mudança de tratamento dispensada aos brasiguaios brasileiros que moram no Paraguai.

Projeções do Itamaraty indicam que existam entre 80 mil e 150 mil brasileiros morando no país vizinho. Os números para a Organização Internacional para Migração (IOM) são mais elevados, indicando de 150 mil a 250 mil, alguns ilegais e outros, proprietários de terras. O trabalho dos migrantes brasileiros se baseia na agricultura, no pequeno comércio e no setor informal. Muitos se queixam sobre a forma como são tratados pelas autoridades paraguaias.