Descobertas fortes correntes nas profundezas do oceano Austral

Agência AFP

PARIS - Fortes correntes das profundezas do oceano Austral permitem que as águas densas e frias subam rapidamente para o norte, revelou um estudo publicado este domingo na revista Nature Geoscience, que pode ajudar a estabelecer um modelo mais aprimorado sobre a evolução do clima.

O oceano Austral desempenha um importante papel no clima mundial porque a poderosa corrente circumpolar antártica remove as águas de três oceanos (Atlântico, Índico e Pacífico), absorvendo as correntes quentes e redistribuindo as águas frias.

Os cientistas já sabiam que as águas da superfície, depois de contribuírem para a formação do gelo, ficam frias e salgadas, submergindo para o fundo dos oceanos ao redor do continente Ártico.

Graças a captores instalados durante dois anos a 3.500 metros de profundiade ao longo de 175 km, Yasushi Fukamachi, da Universidade de Hokkaido (Japão) e sua equipe mediram a força das correntes na Água Antártica de Fundo (AABW), que circula em sentido horário.

Ao leste das ilhas Kergueln, quando a corrente escapa da baía de Prydz, as águas alcançam uma velocidade média de mais de 20 cm/segundo, um recorde a esta profundidade.

Segundo estimativas dos cientistas, mais de 12 milhões de metros cúbicos de água com pelo menos zero grau são transportados a cada segundo na direção do Equador, compensados em parte por um fluxo que volta a descer para o pólo sul.

O fluxo líquido de água a menos de 0,2 grau Celsius que sai a cada segundo para o norte alcança uma média de 8 milhões de metros cúbicos.

Trata-se de um volume quatro vezes superior ao dos dados já recolhidos (1,9 milhão de m3/segundo) no caso de outro fluxo que sai da AABW, na altura do mar de Weddell, rumo ao oceano Atlântico.

Estas "medidas oceanográficas vitais" serão "úteis para os cientistas que estudam o clima", explica o oceanógrafo Alejandro Orsi (Texas A&M University, Estados Unidos), em comentário publicado na revista científica.