Reino Unido: política externa divide candidatos

Jornal do Brasil

LONDRES - Os líderes dos três grandes partidos britânicos participaram quinta-feira do segundo debate televisionado da história do Reino Unido. O conservador David Cameron, o liberal-democrata Nick Clegg e o atual primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown, que concorre à reeleição, discutiram a política externa do país em uma disputa equilibrada que dividiu o eleitorado e terminou sem um claro vencedor, segundo as pesquisas.

Por enquanto, a maioria do eleitorado ainda não definiu quem vai apoiar nas eleições de 6 de maio e a disputa promete ser acirrada, indicaram analistas. Durante o debate, Clegg, grande revelação do primeiro debate, foi alvo da maioria dos ataques de Cameron e Brown, mas conseguiu passar franqueza nas respostas, enquanto Cameron foi o mais genérico e Brown o menos incisivo, apontaram especialistas.

Por sorteio, o trabalhista Brown abriu o debate criticando a política para armas nucleares defendida por Clegg e acusando-o de ser um risco para a nossa segurança .

Tenho que lidar com essas decisões diariamente e digo a você, Nick: caia na real, caia na real. Você diz que o Irã pode ser capaz de adquirir armas nucleares e você não agiria contra eles disparou. Mas você diz que devemos desistir de nossos submarinos Trident (sistema de mísseis). Caia na real sobre os perigos que enfrentaremos.

Ao contrário de Brown e Cameron, Clegg já deixou claro que não pretende se comprometer em gastar bilhões de libras renovando o velho sistema de mísseis. Ex-deputado europeu, poliglota e casado com uma espanhola, Clegg entrou em choque principalmente com Cameron, cujos eleitores defendem uma menor influência da União Europeia em solo britânico.

Cameron disse que o Reino Unido precisa tomar de volta algumas das prerrogativas do país que foram transferidas à União Europeia. Brown rebateu que metade do comércio do país é feito com o bloco europeu e que muitos empregos estão em jogo.

Clegg fez críticas à aliança do Reino Unido com os Estados Unidos, citando as ocupações no Oriente Médio e a crise iraniana. Ele defendeu que o país não pode simplesmente tomar o mesmo rumo dos americanos em todas as questões externas.

Nós temos de atuar em favor de nossos interesses, não de terceiros.

O último debate via TV, dia 29 de abril, deve tratar de questões econômicas.