Netanyahu não vai paralisar construções de assentamentos

Evelyn Soares , Jornal do Brasil

JERUSALÉM - O premier de Israel, Benjamim Netanyahu, reafirmou quinta-feira a posição oficial do país ao negar o pedido do governo dos Estados Unidos de paralisar as construções de assentamentos em Jerusalém Oriental. A declaração do primeiro-ministro, em entrevista a um canal televisivo, mantém o impasse nas negociações de paz com autoridades palestinas, no momento em que o emissário americano para o Oriente Médio, George Mitchell, realiza a primeira visita à região em seis semanas.

A situação é semelhante à vivida há cerca de dois meses pelo vice-presidente americano, Joe Biden. Durante visita com o mesmo propósito, o Ministério do Interior anunciou a construção de 1,6 mil casas na mesma região.

Não haverá nenhuma espécie de congelamento em Jerusalém, nem pré-condições às negociações afirmou o premier, fazendo alusão à declaração palestina de que não voltariam à mesa de diálogos se não houvesse a interrupção das obras nos territórios ocupados da Palestina.

Jerusalém é a eterna e indivisível capital declarou.

Saeb Erekat, principal negociador palestino, considerou infeliz o posicionamento de Netanyahu e espera que os EUA convençam o governo israelense a dar uma chance à paz .

O mal-estar provocado em Washington foi expresso pelo diplomata americano Martin Indyk, ex-embaixador em Israel e atual assessor de Mitchell.

Netanyahu tem que escolher se prefere se confrontar com seus parceiros da coalizão governamental ou com Obama. afirmou Indyk. Se Israel é uma potência que não precisa da ajuda americana, pode tomar decisões sozinho. Mas, se precisa, deve levar em consideração as nossas necessidades.

Mais tarde, o porta-voz do governo americano Philip Crowley divulgou um comunicado em que declarava que o status quo é insustentável e que ambas as partes precisam assumir responsabilidades e criar uma atmosfera que permita que o processo de paz continue .

Já Netanyahu disse acreditar que sua decisão não afetará as relações entre Israel e EUA

Os partidos políticos israelenses responderam de maneira divergente ao anúncio do premier. Enquanto os direitistas elogiaram a resposta de Netanyahu, os esquerdistas temem que a decisão possa piorar a tensão entre Israel e EUA, seu maior e mais importante aliado.

Foguetes atingem armazém na Jordânia

Dois foguetes atingiram quinta-feira uma área perto do porto de Aqaba, na Jordânia, segundo uma fonte de segurança local. Nenhuma pessoa ficou ferida pelos disparos que atingiram um armazém local contendo produtos derivados de borracha e o Mar Vermelho. Segundo autoridades jordanianas, os projéteis foram lançados do exterior e tinham o país como alvo. Nenhum grupo assumiu a autoria dos lançamentos.

Depois de uma investigação, a causa da explosão foi a queda de um foguete Grad (de fabricação soviética) lançado de fora do território jordaniano disse o ministro da Informação, Nabil Sharif, sem dar mais detalhes.

Testemunhas e uma fonte do setor de segurança local haviam afirmado anteriormente que os foguetes foram disparados do porto jordaniano de Ácaba, que fica a leste do resort israelense de Eilat, mas caiu no armazém vazio. Horas depois, Sharif disse que até agora não há nada que indique que foguete algum tenha sido lançado da Jordânia .

Em Jerusalém, militares israelenses e forças de segurança revistaram Eilat depois que se soube das explosões e flashes de luzes, mas não encontraram nenhuma evidência de incidente relacionado à segurança. O canal 10 de Israel afirmou ser possível que os foguetes tenham partido da península do Sinai, no Egito.

O fato ocorreu nove dias depois de Israel alertar seus cidadãos que passavam férias no Sinai, no Egito, a deixar a região porque militantes planejavam sequestrar israelenses.

Houve no Sinai, entre 2004 e 2006, uma onda de ataques a turistas que matou mais de cem pessoas.