Vulcão da Islândia: caos agora é nos aeroportos liberados

Jornal do Brasil

LONDRES - Com a reabertura de aeroportos e a retomada de aproximadamente 80% do tráfego aéreo, o céu da Europa recuperava aos poucos a normalidade quarta-feira, após seis dias de caos provocado pela nuvem de cinzas de um vulcão islandês. Passageiros ainda encararam longas filas para embarcar, à medida em que as empresas aéreas tentavam lidar com o acúmulo causado pelo cancelamento de aproximadamente 100 mil voos nos últimos dias. Muitos devem demorar ainda dias para voltar para casa.

Segundo a agência europeia de controle de segurança aérea, Eurocontrol, quase 100% de todo o tráfego aéreo no continente deve ser retomado quinta-feira, uma semana depois do início do caos provocado pela erupção do vulcão na geleira Eyjafjallajoekull.

A agência afirmou que quase todo o espaço aéreo do continente está sendo liberado, com restrições parciais ainda em vigor em áreas limitadas, incluindo aeroportos na Finlândia e partes do norte da Escócia . Estas também devem acabar gradualmente, já que as autoridades islandesas informaram que a erupção do vulcão Eyjafjöll perdeu 80% da intensidade desde sábado, e o serviço de sismologia do país considera a quantidade de cinzas produzida insignificante .

Na Grã-Bretanha, paralisada há quase uma semana, o tráfego aéreo foi retomado lentamente em Heathrow e nos outros aeroportos londrinos, onde a alegria dos que retornavam contrastava com a confusão provocada pelo grande número de voos atrasados ou cancelados.

A liberação do tráfego aéreo trouxe alívio para o casal de brasileiros Caroline Villar e Breno Bittencourt, entrevistados terça-feira pelo JB enquanto esperavam em Milão para voltar a São Paulo. Por sorte, o casal conseguiu embarcar ainda na noite de quarta-feira em um avião da TAM que geralmente percorre o trajeto entre Frankurt e São Paulo mas que, devido ao cancelamento de voos, também se encontrava preso em Milão

Quando chegamos ao aeroporto descobrimos que estávamos na lista de espera pois a TAM estava dando prioridade àqueles que tinham a volta marcada para quarta-feira explicou Caroline. De última hora conseguimos lugares no voo e estamos aliviados por estar em casa com nossos filhos novamente.

Perdas de empresas são muito inferiores às do 11 de Setembro

As perdas financeiras após seis dias de paralisação nos voos custaram aos cofres das companhias aéreas uma perda de mais de US$ 1,7 bilhão, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). A comparação imediata é com o atentado de 11 de Setembro, quando o espaço aéreo ficou fechado por três dias consecutivos, acarretando um prejuízo de mais de US$ 10 bilhões. Na época, para cobrir o rombo nos orçamentos das companhias, o governo americano desembolsou US$ 5 bilhões.

A estimativa da Iata mostra que as principais empresas aéreas perderam US$ 200 milhões de dólares por dia no caos aéreo provocado pela nuvem de cinzas expelidas pelo vulcão islandês. Cerca de 1, 2 milhão de passageiros não pôde viajar em cada dia de paralisação, e aproximadamente 100 mil voos foram cancelados, contra os 99.324 que não puderam decolar no 11 de Setembro, de acordo com dados do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.

Giovanni Bisignani, presidente da associação, pediu que os governos façam compensações às companhias e afrouxem as regulações.

É uma situação extraordinária exagerada com um processo de más decisões por governos nacionais disse.

Segundo ele, é possível que a recuperação das empresas se dê em três anos.

Ao lucro cessante se somam os custos das companhias para alojar, alimentar e, em alguns casos, transportar por outros meios os passageiros retidos nos saguões dos terminais aéreos do continente disse.

De acordo com Bisignani, é possível que os prejuízos possam aumentar mesmo com a reabertura do espaço aéreo no continente.

Casados, longe de casa

Evelyn Soares

Após a preparação de mais de um ano para o casamento, os eslovacos Juraj Hegyi e Zuzana Marcekova realizaram a cerimônia bem longe do local planejado.

O casal estava viajando em Taiwan e planejava retornar ao país natal antes do dia 24 (próximo sábado), a data marcada para o grande dia. Porém, o cancelamento do voo de volta por tempo indeterminado, devido às cinzas do vulcão islandês em erupção, frustrou o plano do médico e da radiologista.

Comovido após ser informado da situação dos noivos, Li San-lian, dono do hotel onde estavam hospedados, ofereceu aos noivos uma cerimônia matrimonial, sugestão que foi de pronto aceita.

Com a presença de parentes por videoconferência, outros viajantes europeus, empregados do hotel e moradores locais, um ministro cristão de uma universidade celebrou quarta-feira o enlace do casal no Hotel Orchard Park, próximo ao Aeroporto Internacional Taoyuan.

Com exceção das viagens da companhia aérea taiwanesa China Airlines à Roma, todos os voos de Taiwan à Europa continuam cancelados. Acredita-se que a situação seja normalizada nos próximos dias.

Enquanto a regularização do tráfego não é acertada, é bem provável que Hegyi e Marcekova continuem em lua-de-mel na ilha do Pacífico.