Igreja argentina: casamentos gays alteram princípios da lei natural

Agência AFP

BUENOS AIRES - A Assembleia dos Bispos da Argentina considera que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo alteram 'os princípios da lei natural'. Em um documento divulgado nesta quarta-feira, anterior a uma sessão do Congresso que pode aprovar os matrimônios gays, a Assembleia indicou que se a união entre pessoas do mesmo sexo for reconhecida "o Estado estará agindo de maneira errada e entrará em contradição com seus próprios deveres ao alterar princípios da lei natural e da ordem pública da sociedade argentina".

"A união de pessoas do mesmo sexo carece dos elementos biológicos e antropológicos do matrimônio e da família", assegura o documento divulgado uma semana antes do debate legislativo.

Uma comissão do Congresso aprovou que os deputados discutam possivelmente na próxima semana um projeto que impulsiona a reforma do Código Civil para mudar a expressão "marido e mulher" pelo termo "contraentes".

Caso seja aprovado, a Argentina será o primeiro país da América Latina a ter uma legislação que autoriza as uniões entre pessoas do mesmo sexo, enquanto a capital mexicana é a primeira cidade da região a ter aprovado os casamentos gay por lei da Câmara dos Vereadores.

Quatro casamentos entre pessoas do mesmo sexo, um deles entre lésbicas, foram celebrados na Argentina desde dezembro, autorizados por diferentes juízes, em meio a uma batalha com outros magistrados que tentaram anulá-los.