GB: Nick Clegg, o terceiro homem

Agência AFP

LONDRES - Nick Clegg, o jovem de boa aparência, afável, mas até recentemente desconhecido líder do partido liberal-democrata, que usa uma inseparável gravata amarela, impôs-se com brio como o terceiro homem da política britânica, no primeiro debate transmitido pela televisão, jamais organizado no Reino Unido.

A maior parte dos comentaristas consideravam antes da segunda disputa triangular, desta quarta-feira, com a participação do premier trabalhista Gordon Brown e do líder conservador David Cameron, que Clegg chegou a abalar seriamente o bipartidarismo tradicional, a ponto de aparecer como forte candidato a primeiro-ministro.

Herdeiros do Partido Liberal, que deu ao país 26 primeiros-ministros mas longe do poder desde 1922, os liberais-democratas (centro-esquerda) haviam designado em dezembro de 2007 este talentoso orador para guiá-los.

Defensor radical das liberdades cívicas, Nick Clegg, 43 anos, esforça-se desde então para fazer ouvir a voz dos "lib-dems", marginalizados por um sistema eleitoral desfavorável. "Estou aqui para persuadi-los de que existe uma alternativa aos dois velhos partidos", afirmou ele.

Opositor da guerra no Afeganistão, preconiza o congelamento do programa nuclear britânico e foi um dos primeiros a pedir a demissão do presidente da Câmara dos Comuns após um escândalo sobre gastos dos deputados.

Nicholas William Peter Clegg nasceu em 7 de janeiro de 1967 em Chalfont St Giles, Buckinghamshire, noroeste de Londres.

Sua avó paterna foi uma aristocrata que fugiu da Rússia em 1917. Sua mãe é holandesa, nascida na Indonésia, tendo estado detida num campo japonês de prisioneiros de guerra até os 12 anos.

Estudou antropologia na Universidade de Cambridge e concluiu seus estudos na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, depois frequentou o Collège d'Europe em Bruges, Bélgica.

Foi lá que conheceu sua futura esposa Miriam Gonzalez Durantez, uma avogada espanhola que lhe deu três filhos.

Apreciador de ski, Nick Clegg começou a carreira profissional como "foca" - estagário de jornalismo, na revista The Nation em Nova York, depois trabalhou brevemente no Financial Times na Hungria.

Em 1994, participou da comissão europeia, tornando-se dois anos depois assessor do comissário europeu do Comércio, o conservador Leon Brittan, com quem supervisionou as discussões de negócios com a Rússia e a China.

Eleito deputado europeu em 1999, desistiu em 2004 para dar assistência à família. Em 2005, a rica circunscrição de Sheffield Hallam, no norte da Inglaterra, escolheu-o para representá-la no parlamento de Westminster.