Unasul: Uruguai nega que esteja impulsionando candidatura de Lula

Agência Brasil

BUENOS AIRES - O governo do Uruguai desmentiu que esteja impulsionando a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à secretaria-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

De acordo com o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Luís Almagro, o presidente uruguaio José Mujica conversou ontem sobre a Unasul com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em Caracas, mas não se falou sobre candidaturas à secretaria-geral.

Sobre uma possível candidatura do presidente Lula ao cargo, o chanceler argentino disse que não há nada a respeito e que desmente as versões que estão sendo divulgadas pela imprensa .

O presidente do Uruguai visitou Lula no dia 30 de março. Durante sua permanência em Brasília, José Mujica considerou que o Brasil deve se transformar no porta-voz da América Latina. O mundo está se organizando em blocos gigantescos e nosso porta-voz deve ser o Brasil , disse à época. No entanto, segundo o presidente uruguaio, essa posição de liderança representa um custo político e econômico para o país.

Mujica esteve segunda-feira em Buenos Aires para encontro com a presidente Cristina Kirchner. Até o final de 2009, o marido da presidente, Nestor Kirchner, era candidato à secretaria-geral da Unasul, mas foi vetado pelo agora ex-presidente uruguaio, Tabaré Vásquez.

A atitude de Vázquez foi uma consequência do bloqueio da ponte internacional San Martin por organizações ambientalistas da Argentina que se opõem à construção de uma fábrica de celulose na margem oriental do Rio Uruguai, próxima ao território argentino. As ONGs temiam que a fábrica provocasse consequências irreversíveis ao meio ambiente. Na ocasião, Vásquez considerou que o governo argentino deveria ter impedido o bloqueio da ponte.

Tudo indica que o atual presidente José Mujica está disposto a levantar o bloqueio contra a candidatura de Nestor Kirchner à secretaria-geral da Unasul. As candidaturas serão conhecidas dias antes da próxima reunião de cúpula do órgão, prevista para o dia 4 de maio, em Buenos Aires.

A União de Nações Sul-Americanas foi criada em maio de 2008 e reúne Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Paraguai, Suriname, Uruguai e Venezuela. Foi idealizada para ser uma comunidade política e econômica. Uma de metas é assegurar a paz do continente, além de apaziguar possíveis conflitos internos.

A Unasul promove cúpulas presidenciais anuais, reuniões entre ministros a cada seis meses e encontros bimestrais de delegados. O atual dirigente do órgão é o presidente do Equador, Rafael Correa.