Quirguistão: presidente deposto nega renúncia e reúne partidários

Jornal do Brasil

BISHKEK - A chefe de governo interina do Quirguistão, Roza Otunbayeva, confirmou quinta-feira, um dia depois de violentos confrontos na capital, Bishkek, que pretende organizar eleições presidenciais dentro de seis meses, apesar de o presidente deposto, Kurmanbek Bakiyev, dizer em entrevista que não admite uma derrota.

O poder está sob o controle do poder provisório, que vai funcionar durante seis meses para preparar uma nova Constituição e organizar a celebração de uma eleição presidencial de acordo com todas as regras democráticas declarou Roza na primeira entrevista coletiva depois de assumir o poder. Você pode chamar isso de revolução ou de revolta popular, de qualquer forma, foi a nossa maneira de dizer que queremos justiça e democracia.

Os violentos protestos liderados pela oposição e que derrubaram na quarta-feira o presidente Bakiev provocaram entre 75 e 100 mortes, segundo fontes divergentes, e mais de mil feridos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou em Viena o envio de um emissário especial, o diplomata eslovaco Jan Kubis, que deve chegar sexta-feira à capital do Quirguistão.

Kurmanbek Bakiyev fugiu da capital em um pequeno avião, enquanto a oposição anunciava a formação de um novo governo, depois de assumir o controle dos edifícios da Presidência e do Parlamento. O presidente está refugiado em sua cidade natal, Dzhalal Abad, no sul do país.

Segundo a líder opositora, Bakiyev está tentando reunir partidários no seu berço político para continuar defendendo suas posições.

A oposição insiste na renúncia dele completou a ex-chanceler.

Mas Bakiyev assegurou quinta-feira que se nega a renunciar e advertiu que o país está à beira de um desastre humanitário, em um comunicado publicado pela agência quirguiz 24kg.

Declaro, como presidente, que não renunciei e que não renunciarei declarou. Como presidente do Quirguistão, me encontro sem qualquer possiblidade de influenciar o país.

A líder interina do Quirguistão também teve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, que ofereceu a ajuda de Moscou. Segundo um porta-voz, Putin, que respalda o governo provisório, destacou que a Rússia está disposta a dar a ajuda humanitária necessária à população quirguiz.

A nova chefe de governo também anunciou que a base militar dos EUA no país, vital para as operações militares da Otan no Afeganistão, permanecerá aberta.