França: Rachida Dati, no centro das fofocas sobre o casal Sarkozy

Agência AFP

PARIS - A ex-ministra da Justiça Rachida Dati ocupava um cargo de destaque na presidência de Nicolas Sarkozy, mas, hoje, está na defensiva, em relação a boatos sobre ser a causa de presumíveis dificuldades vividas pelo casal presidencial francês.

Filha de um operário marroquino e de mãe argelina, que se tornou ministra da Justiça no governo formado após a eleição presidencial de 2007, esta mulher, de 44 anos, encarnava a vontade de abertura demonstrada por Nicolas Sarkozy às minorias provenientes da imigração.

Elegante, presente num mundo masculino e, com frequência, de mais idade, ela se tornou ídolo das revistas de fofoca.

Hoje, está no centro de um imbróglio político-midiático e vê-se obrigada a se defender de qualquer envolvimento na divulgação de insinuações sobre o estado do casamento de Nicolas Sarkozy com uma outra "star", a ex-top model e cantora glamourosa Carla Bruni.

Seu nome teria sido mencionado por conselheiros do chefe de Estado, a tal ponto que, segundo o jornal Le Monde, a contraespionagem foi encarregada de uma investigação.

"Rachida Dati, a desgraça final", era a manchete do jornal Libération (esquerda). "Sarkozy furioso contra Dati", dizia Le Parisien (popular).

Já afastada do governo no ano passado, a ex-protegida de Nicolas Sarkozy contra-atacou: "Não tenho medo de nada" mas "é preciso que isso cesse, que isso pare", afirmou nesta quarta-feira, evocando "rumores, calúnias, fofocas" escandalosas.

Rachida Dati recebeu nesta quarta-feira o apoio inesperado de Carla Bruni-Sarkozy. Procurando acalmar a tempestade em torno desses boatos, a primeira-dama da França assegurou que ela e seu marido não viam nenhum "complô" contra eles e afastou as acusações contra a ex-ministra. "Ela continua nossa amiga", disse.

Dati jurou não acreditar nas informações mencionadas na imprensa, "sejam sobre investigações ou escutas telefônicas". Mas destacou que disseram "coisas atrozes" sobre ela e que "agora, basta".

O assunto começou no mês passado com um bilhete sobre supostas dificuldades no casal Sarkozy publicado num blog no serviço online da revista Le Journal du Dimanche que repetia rumores que circulavam na internet e em jantares na cidade parisiense nas últimas semanas.

Após uma longa repercussão na imprensa anglo-saxã, a história chegou no final de março à França, com a demissão de dois responsáveis pela publicação da informação.

No final de semana passado, pessoas ligadas ao chefe de Estado chegaram a falar de uma possível "instrumentalização" e de complô" para desestabilizar o chefe de Estado.

Esta não é a primeira polêmica envolvendo Rachida Dati, que se tornou deputada europeia e prefeita do chique "VII arrondissement" de Paris.

A ação desta magistrada de formação no Ministério da Justiça lhe valeu numerosas críticas. Seus aparecimentos mundanos com roupas de grandes estilistas, belos penteados e sorrisos também irritavam alguns.

O nascimento de uma menininha no ano passado motivou muitas fofocas sobre a identidade do pai, jamais revelada.