Desastres naturais: mundo dá lições de prevenção

Joana Duarte , Jornal do Brasil

RIO - Fenômenos naturais de grandes proporções nunca deixarão de ocorrer pelo mundo, mas a capacidade de resposta institucional de cada país diante de catástrofes recorrentes pode limitar os efeitos negativos, reduzindo o impacto e a magnitude dos prejuízos. Diante da ameaça constante de terremotos, tempestades, erupções vulcânicas, tsunamis e inundações, diversos países e regiões do mundo criaram mecanismos para prevenir e amenizar fenômenos que fazem parte do seu cotidiano.

O norte da Europa, por exemplo, é assolado por numerosas tempestades. Segundo dados da Comissão Europeia, que representa os interesses dos países do bloco europeu, a região das ilhas britânicas é atingida, anualmente, por cerca de 100 ciclones. Por vezes, essas tempestades provocam trombas d´água e graves inundações.

Apoiado pela Comissão Europeia, o governo da Grã-Bretanha financia pesquisas que visam a prevenção de grandes tempestades através da gestão sustentável dos rios e de análises dos riscos de cheias e inundações em tempo real. O uso de radares sofisticados também permite antecipar enchentes e as suas consequências. Embora as medidas não sejam suficientes para anular os prejuízos causados pelas águas, segundo a Comissão Europeia, as iniciativas permitem às autoridades públicas a monitoração de dispositivos de segurança, capazes de evitar um grande número de mortes.

Os tremores de terra são, de longe, as catástrofes naturais mais mortíferas no mundo e causam em média cerca de 20 mil mortes por ano. Ainda assim, o terremoto de grande magnitude ocorrido no Chile em fevereiro causou um impacto muito menor do que o tremor semelhante que atingiu o Haiti em janeiro, matando ali quase 200 mil pessoas.

Especialistas constataram que grande parte da devastação na capital haitiana deveu-se a uma infraestrutura inadequada. Em contrapartida, no Chile, terremotos recorrentes levaram o país a estabelecer uma padrão de construções sólidas, mais resistentes aos abalos. Segundo a empresa americana Eqecat, especializada na avaliação de riscos, as normas chilenas atenuaram o potencial de destruição do terremoto naquele país.

EUA e Canadá têm serviços especializados

Nos Estados Unidos, quando um desastre natural está além da capacidade de resposta dos governos municipal e estadual, busca-se auxílio junto à Federal Emergency Management Agency (Fema), que se encarrega de coordenar uma resposta nacional nas áreas atingidas e financiar ajuda humanitária.

Muito criticada por sua lenta e desastrosa reação ao desastre causado pelo furacão Katrina nos estados de Mississippi e Louisiana, em 2005, a Fema, em tese, deveria orientar comunidades sobre como proteger propriedades em caso de alagamento e sugerir inspeções de edifícios e a instalação de sistemas de alerta.

Na época do Katrina, o ex-diretor da Fema Michael Brown foi alvo de duras críticas, já que ele soube pela TV que milhares de desabrigados em Nova Orleans corriam perigo de vida. Segundo um porta-voz da Fema, hoje a agência reconhece que a articulação entre autoridades públicas é parte essencial de uma resposta coordenada aos desastres naturais.

No Canadá, as 12 províncias do país sofreram 168 inundações entre 1900 e junho de 1997, segundo o Geological Survey of Canada, um centro de pesquisa ligado ao governo canadense. Nesse período, inundações no país causaram a morte de pelo menos 198 pessoas e prejuízos de bilhões de dólares. A maior enchente já registrada no país foi causada pela passagem do furacão Hazel, que atingiu o sul de Ontário em outubro de 1954, matando 81 pessoas.

Para lidar com essas enchentes, cada província canadense estabelece um Plano de Resposta Emergencial (Perp, sigla em inglês). A província se responsabiliza pela emissão de alertas meteorológicos em seus sites e de alertas automatizados por telefone. No caso de enchentes provocarem risco de desabamento, autoridades aconselham que os moradores destas áreas abandonem suas casas levando consigo um kit de emergência com itens de primeira necessidade.