Compra de armas russas pela Venezuela preocupa dentro e fora do país

Agência AFP

CARACAS - Uma nova compra de armamento russo por parte da Venezuela provoca receio e críticas por causa do alto custo - quase cinco bilhões de dólares - e pelo sigilo que ronda a aquisição.

A futura transação, que foi anunciada pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, em Moscou, horas depois de uma visita a Caracas, na qual o tema não foi mencionado, fará com que as compras de armamento russo pela Venezuela supere os 9,4 bilhões de dólares nos últimos anos.

"Estamos caindo numa dependência da Rússia e eliminando qualquer competição leal entre vários fornecedores potenciais para definir que armas são compradas, para que são compradas e como são adquiridas", observou Raúl Salazar, que foi primeiro-ministro da Defesa de Chávez.

Independentemente da estratégia militar, os analistas consideram que o gasto é exagerado, em um momento em que a Venezuela tem outras prioridades a resolver, como a recessão econômica, a crescente insegurança ou a crise de energia que implica severos racionamentos.

"Boa parte do país se pergunta como o presidente vai gastar tudo isso quando na Venezuela faltam as coisas mais básicas como água e luz", opina a analista internacional Maruja Tarre.

"Estas armas não são para lutar contra o nosso maior problema, que é a insegurança. Ninguém vê utilidade neste momento e a notícia causou um escândalo na Venezuela. O governo sequer se atreveu a anunciar", acrescenta.

Segundo fontes russas, este novo pedido venezuelano incluirá três submarinos diesel de tipo Varshavianka, 92 tanques T-72, dezenas de blindados BMP-3, 10 helicópteros Mi-28N, aviões de patrulha, lança-mísseis de bocas múltiplas Smerch e sistemas de defesa aérea, entre outros.