Protesto de portuários bloqueia exportações da Argentina

Agência AFP

ROSARIO - Uma greve de trabalhadores portuários impede nesta segunda-feira os embarques de grãos e óleos vegetais no estratégico polo agroindustrial de Rosário, o mais importante da Argentina, país que é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, constatou a AFP.

Os grevistas exigem melhores condições econômicas, diante da perspectiva de uma colheita agrícola formidável este ano. A greve começou há uma semana, mas ampliou-se nesta segunda-feira ao se estender aos sete maiores terminais, em particular os de soja, o principal produto de exportação do país.

A Bolsa de Comércio de Rosário estimou que este ano a colheita de trigo representará 7,5 milhões de toneladas, a de milho, 20,5 milhões, a de sorgo, 3,9 milhões, a de soja, 52,5 milhões, e a de girassol, 2,1 milhões de toneladas.

O montante total das exportações argentinas de grãos, subprodutos, óleos e biodiesel para esta safra ficará nos 22,099 bilhões de dólares, que representam mais de um terço do total das exportações.

Pesam sobre esses produtos agrícolas as chamadas retenções (impostos às exportações), cuja alíquota média está em 30%, pelas quais se estima que o governo embolsará este ano cerca de 6,616 bilhões de dólares por direitos de exportação, quase um quinto da arrecadação fiscal.

A Bolsa projeta para este ano uma nova "supercolheita" de 90 milhões de toneladas - muito acima dos 61 milhões da safra passada, ocorrida em plena crise mundial - ainda que menor que as 96 milhões do ciclo 2007/2008.

Cada dia de bloqueio representa cerca de 100 mil toneladas não exportadas de grãos, azeites e derivados, segundo a Bolsa.

Nesta segunda-feira, havia em torno de 2 mil caminhões esperando luz verde para descarregar a soja.

A cada ano, cerca de 700 mil caminhões concentram-se em uma estreita faixa geográfica entre março e julho para descarregar nesses portos o grosso da colheita argentina.

A Argentina é o terceiro exportador mundial de soja atrás dos Estados Unidos e do Brasil, e também o terceiro país do mundo em exportação de trigo.

Sobre a costa do rio Paraná, onde está Rosario, operam as principais multinacionais mundiais do comércio de grãos, que têm enormes portos privados.

Entre as indústrias mais importantes estão Cargill, Bunge, Nidera, Toepfer, Noble e Dreyfus.