Primaz da Inglaterra não vê razão sólida para renúncia do Papa

Agência AFP

LONDRES - O primaz da Inglaterra e do País de Gales, Vincent Nichols, afirmou neste domingo que não há razões sólidas que apontem para a renúncia do Papa Bento XVI, envolvido num escândalo por sua condução dos casos de pedofilia dentro da Igreja Católica.

"O Papa não vai renunciar. Francamente, não há razão sólida para que o faça", declarou o arcebispo de Westminster falando à BBC One.

"Ele não está envolvido em nenhuma tentativa de ocultar caso algum... De fato, foi o cardeal Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) que impulsionou mudanças significativas. Por exemplo, pressionou em favor de um processo rápido apa secularizar os padres que cometeram abusos... Depois, em 2001, emitiu um documento que permite que os bispos não fiquem isolados frente ao problema", explicou.

"Nesse documento, não há absolutamente nada que impeça aos bispos assinalar os crimes à polícia. De fato, desde 2001, a Santa Sede sempre aconselhou os bispos a fazê-lo", concluiu.

O Papa se encontra em meio a uma série de escândalos envolvendo pedofilia dentro de clero que abalam sua posição.

O cardeal Joseph Ratzinger, que depois seria nomeado Papa, não teria feito nada para impedir em 1980 que um padre acusado de pedofilia retomasse o sacerdócio em uma outra paróquia na Alemanha, afirmou o jornal New York Times na sexta-feira, um dia depois de revelar um caso parecido ocorrido nos Estados Unidos.

No final de 1979 em Essen, Alemanha, o padre Peter Hullermann foi suspenso após várias queixas de pais que o acusavam de pedofilia. Uma avaliação psiquiátrica ressaltou os instintos pedófilos, indica o diário americano.