Bispos da França e Inglaterra defendem papa sobre casos de pedofilia

Agência AFP

PARIS - Os bispos da França expressaram nesta sexta-feira vergonha e pesar ante os atos abomináveis de pedofilia dentro da Igreja Católica, em carta dirigida ao papa Bento XVI, ao término de sua assembleia geral realizada em Lourdes (sudoeste).

- Todos sentimos vergonha e pesar ante os atos abomináveis cometidos por alguns padres e religiosos - afirmam os bispos franceses, que, na mesma carta, defenderam o papa contra os ataques que sofreu neste caso.

- Constatamos também que estes fatos inadmissíveis são utilizados em uma campanha para atacar o senhor e sua missão à serviço da Igreja - afirmam os prelados.

Também enviaram "uma cordial mensagem de apoio no difícil período que atravessa nossa igreja".

Os bispos manifestaram adesão às palavras do papa "destinadas às vítimas dos crimes" e consideraram que as pessoas que cometem esses atos "desfiguram nossa Igreja".

- Mesmo que estes atos sejam resultado de um grupo muito pequeno de sacerdotes os que vivem com alegria e fidelidade seu compromisso a serviço da Igreja também são afetados - afirma ainda a mensagem.

O chefe máximo dos católicos da Inglaterra e de Gales também negou que a Igreja tenha acobertado os abusos sexuais em um artigo publicado no jornal Times.

O arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, considerou inadmissível a atitude das pessoas que abusaram sexualmente de menores.

- O abuso de crianças cometidos dentro da Igreja católica romana e seu acobertamento são profundamente chocantes e totalmente inadmissíveis -afirma o prelado.

- Envergonho-me do ocorrido e compreendo a ira e horror que estes casos produziram - enfatiza.

Bento XVI se encontra no centro de um escândalo ocasionado pela matéria do jornal The New York Times divulgando informações de que, nos anos 90, o então cardeal Joseph Ratzinger encobriu um padre americano suspeito de ter abusado de 200 crianças com deficiência auditiva.

O Vaticano saiu em defesa do papa, afirmando que ele só teve conhecimento dos fatos quando era tarde, quando o idoso sacerdote já estava muito doente.

Segundo o NYT, Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé nos anos 90, abriu mão de iniciar os trâmites contra o padre acusado de ter abusado de quase 200 crianças surdas em uma escola do Wisconsin (norte dos Estados Unidos) entre 1950 e 1972.

Os documentos, mantidos em sigilo durante muitos anos, revelam uma correspondência de 1996 entre o padre Lawrence C. Murphy e o então cardeal Joseph Ratzinger, que presidia a Congregação para a Doutrina da Fé antes de virar papa, afirma o Times.

Ratzinger também teria sido alertado sobre as acusações contra o padre Murphy pelo arcebispo de Wisconsin, que teria escrito duas cartas sobre a questão.

Murphy trabalhou na escola para crianças surdas e com deficiências auditivas do estado de Wisconsin entre 1950 e 1974.