Armas: EUA e Rússia aproximam aliança com novo Start

Jornal do Brasil

WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, e seu colega russo, Dmitry Medvedev, finalizaram sexta-feira um histórico acordo de redução de armas nucleares, cortando em 30% o limite de número de ogivas que cada potência está autorizada a deter. Em um telefonema, os dois líderes selaram o sucessor do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), que expirou em dezembro. O novo pacto deve ser assinado no dia 8 de abril, em Praga.

Nós conseguimos fechar o acordo em uma das prioridades de segurança nacional da minha administração, um novo acordo de controle de armas afirmou Obama em coletiva de imprensa, ao lado da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do secretário de Defesa, Robert Gates.

O novo acordo determina limites de 1.550 ogivas nucleares para cada país. Os Estados Unidos informaram que atualmente detém 2.200 ogivas, enquanto a Rússia detém em torno de 3 mil.

As autoridades americanas afirmaram aos jornalistas que o acordo vai ajudar a avançar no objetivo de longo prazo de termos um mundo livre das armas nucleares .

Com esse acordo, Estados Unidos e Rússia também enviam um sinal claro de liderança disse Obama. Fechando nossos próprios compromissos de não-proliferação, fortalecemos os esforços globais para deter a disseminação dessas armas, tendo certeza que outras nações deverão agir de acordo com suas responsabilidades.

Hillary acrescentou que os Estados Unidos não precisam de grandes arsenais para proteger o país e aliados contra as duas principais ameaças de hoje: proliferação de armas nucleares e terrorismo .

Obama disse ainda que o tratado vai de acordo com sua prioridade de renovar as relações com a Rússia, tendo como objetivo aprofundar a cooperação na guerra contra extremistas no Afeganistão e nos esforços de deter o programa nuclear iraniano. As relações Rússia/EUA se deterioraram muito durante o mandato do ex-presidente George Bush.

Moscou

Em Moscou, o Kremlin afirmou que o novo tratado marca a mudança da cooperação entre os antigos rivais da Guerra Fria para níveis mais altos no desenvolvimento de novas cooperações estratégicas. Além de reduzir os limites de mísseis e lançadores de cada país, o novo acordo traz ainda um sistema de verificação mais forte e efetivo.

O tratado, que ainda precisa ser ratificado pelo Senado americano e pelo Parlamento russo (Duma), estabelece o limite de 800 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais, submarinos lançadores de mísseis balísticos e bombas pesadas equipadas com armas nucleares. O limite para mísseis balísticos intercontinentais e lançadores submarinos de mísseis é de 700, informou a Casa Branca.

Obama saboreia sua melhor semana na Casa Branca

Duas grandes vitórias para Barack Obama em casa e no exterior a aprovação da histórica reforma de saúde e a assinatura de um acordo de redução nuclear com a Rússia injetaram ânimo em uma Presidência que parecia enfastiada.

Que semana tivemos aqui! afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, em mensagem publicada no Twitter, enquanto Obama fechava o novo acordo estratégico para redução de armas nucleares com Medvedev.

Em seis dias, dois dos maiores projetos da Presidência de Obama foram concluídos depois de meses de trabalho exaustivo, transformando a imagem de uma administração que havia causado muito impacto, mas falhado em abordar grandes temas em sua agenda.

Sexta-feira, Obama pôde saborear a mudança de atitude dos especialistas que frequentemente o depreciam, mas que passaram a elogiá-lo, chamando o presidente de um governante que obtém conquistas no cenário doméstico.

As elevadas expectativas de uma Presidência transformativa colocadas sobre Obama quando ele tomou posse, em meio à maior crise econômica das últimas gerações, pareceram agora mais realistas depois de ele ter passado pela sua melhor semana na Casa Branca.