Obama recebe Netanyahu em meio à tensão bilateral

Agência AFP

WASHINGTON - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano, Barack Obama, se reuniram nesta terça-feira na Casa Branca, em meio à polêmica gerada pelo anúncio de Israel de prosseguir com a colonização em Jerusalém Oriental.

A reunião entre os dois líderes durou cerca de 90 minutos, mas Netanyahu permaneceu na Casa Branca por mais de três horas. A imprensa não teve acesso ao encontro.

Durante a reunião, a imprensa israelense informou que a prefeitura de Jerusalém aprovou a construção de 20 casas no local onde está o hotel Shepherd, no bairro palestino de Sheikh Jarrah.

O projeto, lançado pelo milionário judeu Irving Moskowitz, que financia várias organizações ultranacionalistas, tem como objetivo declarado a ocupação israelense em bairros árabes de Jerusalém Oriental, anexada por Israel.

EUA e Israel enfrentam uma séria crise diplomática desde o anúncio de que o Estado Hebreu vai autorizar a construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental. A decisão minou os esforços de Washington para relançar o processo de paz no Oriente Médio.

Mais cedo, Netanyahu não deu sinais de ceder aos apelos dos Estados Unidos de suspender a construção de novas casas para colonos judeus em Jerusalém Oriental, o que alguns analistas consideram a pior contenda entre os aliados em anos.

"Se os americanos apoiam os pedidos irracionais feitos pelos palestinos com relação ao congelamento das colônias em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, o processo de paz corre o risco de ficar bloqueado por um ano", afirmou Netanyahu.

"As relações entre Israel e os Estados Unidos não devem ser reféns de diferenças entre os dois países sobre o processo de paz com os palestinos", acrescentou o premier, segundo a imprensa israelense.

Em um forte discurso feito nesta segunda-feira ao poderoso lobby judaico-americano Aipac, Netanyahu declarou que "Jerusalém não é uma colônia", em uma aparente mensagem direcionada ao presidente Obama.

"O povo judeu construiu Jerusalém há 3 mil anos e o povo judeu constrói Jerusalém hoje. Jerusalém não é uma colônia, é nossa capital".

Os Estados Unidos alertaram que a expansão das colônias judaicas em Jerusalém Oriental debilita diretamente a credibilidade do país como mediador e seus esforços por conversas de "aproximação" iniciadas entre Israel e os palestinos.

O Estado hebreu ocupou Jerusalém Oriental durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, antes de anexar esta parte da cidade, em uma medida não reconhecida pela comunidade internacional.

Os palestinos exigem instalar sua futura capital em Jerusalém Oriental.