Chile: Comissão de Anistia registra 2,2 mil casos de tortura e crimes

Agência Brasil

SANTIAGO - Centro de uma das ditaduras mais violentas da América do Sul, de 1973 a 1990, o Chile mantém uma Comissão Nacional de Detenção Política e Tortura cujo objetivo é reunir depoimentos de vítimas e pagar indenizações às famílias. Pelos dados mais recentes, 2,2 mil casos estão registrados e há 614 fichas para serem analisadas. Estimativas indicam que cerca de 3 mil pessoas desapareceram durante o governo do general Augusto Pinochet. As informações são da agência oficial de notícias da Argentina Telam.

O secretário-geral da organização, Claudio Herrera, afirmou que os últimos tremores de terra não afetaram o ritmo dos trabalhos na comissão, uma vez que há investigações e análises em todo o país.

- Apesar de termos alguns altos e baixos nas regiões [em decorrência dos efeitos causados pelos abalos sísmicos no Chile], estamos trabalhando normalmente nas províncias - disse ele.

De acordo com o secretário-geral, os consulados do Chile no exterior e outros organismos podem colaborar nas apurações da comissão ao fornecer informações que serão enviadas para o Ministério dos Negócios Estrangeiros que atua em parceria com o órgão.

- Nos consulados estão sendo realizados atendimentos normalmente e todos os dias. Mas as entrevistas são pessoais e realizadas apenas no Chile: o consulado funciona como um primeiro atendimento oficial das testemunhas - afirmou Herrera.

Os interessados podem procurar pessoalmente a comissão. De acordo com o regulamento do órgão, há três categorias referentes às vítimas. Uma para os que sofreram prisão política e /ou tortura, outra referente às vítimas de desaparecimentos forçados ou execuções e sequestros políticos e, por último, diz respeito às pessoas que tenham apresentado seus antecedentes a esse pedido e não tenham sido avaliado favoravelmente.