Berlusconi elogia Bento XVI e Obama, mas critica justiça italiana

Agência ANSA

ROMA - O premier italiano, Silvio Berlusconi, se disse comovido com a postura do papa Bento XVI em relação aos casos de pedofilia na Igreja, festejou a aprovação da reforma da saúde norte-americana e criticou a atuação da Justiça de seu país às vésperas das eleições regionais.

O primeiro-ministro já havia classificado ontem como uma "resposta extraordinariamente eficaz" a carta escrita pelo Pontífice aos católicos irlandeses, na qual ele reconhece o "grave dano" causado pelo abuso sexual contra menores em instituições eclesiásticas desta nação.

- Fiquei profundamente impressionado e comovido com a coragem do Santo Padre ao confrontar a praga da pedofilia presente em certas dioceses do Norte da Europa - relatou Berlusconi em entrevista a um programa de TV.

- Os erros de pouquíssimos não podem colocar em dúvida o bem da planta cristã, mártir em muitas partes do mundo, onde faz obras de caridade e justiça. Todos nós continuamos a inspirar-nos nos valores do cristianismo - acrescentou.

A missiva divulgada pelo Vaticano no sábado se refere às denúncias de abuso sexual surgidas na Igreja irlandesa contra milhares de crianças, e que incluem um esquema por meio do qual religiosos e policiais teriam encoberto estes crimes por mais de 60 anos.

Ainda durante a entrevista, Berlusconi falou sobre a aprovação da reforma da saúde apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, junto ao Congresso do país. Com orçamento de US$ 940 bilhões, o projeto era uma das principais bandeiras do mandatário norte-americano.

- Devemos festejar o que fez o presidente Obama, a quem enviei uma mensagem pessoal. Trata-se de uma vitória da democracia em uma grande nação livre - declarou o primeiro-ministro.

O premier também comentou as disputas entre seu governo e a Justiça italiana às vésperas das eleições regionais. - Esta campanha eleitoral foi distorcida porque o partido da procuradoria entrou em campo pesadamente e ditou termos e tempos - reclamou.

Berlusconi citou as acusações "inventadas" de que sua gestão à frente do Executivo teria ocasionado o surgimento de um novo Tangentopoli (esquema de corrupção que envolvia governantes e a máfia e foi desbaratado no início da década de 190 pela Operação Mãos Limpas).

- Tentaram destruir o milagre que fizemos em L'Aquila depois do terremoto [que atingiu a região em abril e deixou quase 300 mortos], jogaram lama sobre [Guido] Bertolaso e a Defesa Civil - lembrou ele, citando o chefe da Defesa Civil do país, investigado por envolvimento em fraudes em licitações de obras públicas.