Justiça suspende uso de pistolas elétricas em Buenos Aires

Agência ANSA

BUENOS AIRES - A Justiça da capital da Argentina, Buenos Aires, ordenou a suspensão provisória do uso de pistolas elétricas Taser X-26 pela Polícia Metropolitana.

A juíza Andrea Dantas considerou que as armas "são potencialmente perigosas para a saúde e eventualmente letais", ao acatar a denúncia do Observatório dos Direitos Humanos local.

A entidade havia apresentado um recurso judicial no último dia 22 para impedir o uso das pistolas que emitem descargas elétricas por considerá-las um "elemento de tortura".

O texto destacava que "o Comitê Contra a Tortura das Nações Unidas e outros organismos internacionais desaprovaram o uso das armas tipo Taser", que disparam descargas elétricas de alta voltagem.

"A incorporação destes dispositivos pode fomentar o encobrimento ou a impunidade policial, favorecendo situações de abuso policial", indicou o Observatório, referindo-se ao fato das armas não deixarem marcas nos corpos das vítimas.

O governo da cidade de Buenos Aires, através do chefe da Polícia Metropolitana, Eugenio Burzaco, e de alguns legisladores, refutou a decisão e antecipou que apelará.

Burzaco defendeu que "no mundo todo se usa cada vez mais" a pistola Taser X-26, assegurando que "é uma arma utilizada na Europa, no Chile, na Colômbia, no Brasil e em muitos outros países".

A decisão judicial foi apoiada por Fabio Basteiro, chefe da legenda de centro-esquerda Projeto Sul na cidade de Buenos Aires, onde o direitista Mauricio Macri exerce o governo. O partido havia denunciado o uso das pistolas, assim como outras forças políticas opositoras.

Já o líder do bloco governista, Cristian Ritondo, informou que a decisão "vai ser examinada e, se necessário, apelaremos".