Hillary: EUA tentarão compensar o Brasil contra retaliações comerciais

Renata Giraldi, Agência Brasil

BRASÍLIA - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira que o governo do Estados Unidos inicia na próxima semana as negociações para um acordo com o Brasil para evitar a retaliação brasileira por causa dos subsídios dados aos produtores de algodão de seu país. É a primeira vez que os norte-americanos se dispõem a apresentar compensações ao Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que haverá um mês para encerrar o impasse.

O acordo em torno das compensações envolve cerca de US$ 830 milhões. O assunto foi tema de reunião de Amorim com Hillary nesta tarde, no Itamaraty. Segundo a secretária, o esforço é para que as negociações levem para um final feliz, como em um filme conhecido.

Tenho a impressão de que entrei em um filme que estava passando há muito tempo. O Brasil vai divulgar a lista de produtos [norte-americanos que serão retaliados] , afirmou a secretária, referindo-se à divulgação programada para a próxima segunda-feira (8).

Em seguida, Hillary afirmou: Isso vai ser discutido como proposta de compensação. Temos tempo para tentar resolver isso de maneira pacífica e produtiva. É tanto o comércio que há entre os nossos países que espero que possamos resolver essa questão .

Amorim disse ainda duvidar que os Estados queiram impor uma espécie de contrarretaliação a produtos brasileiros em decorrência da decisão de retaliar as mercadorias norte-americanas. Não posso acreditar que os Estados Unidos vão promover [uma contrarretaliação]. Deste susto eu não morro , afirmou o ministro.

De acordo com Amorim, depois de publicada a lista, haverá mais um mês para a negociação com os Estados Unidos. A lista será publicada na semana que vem e haverá 30 dias [de prazo para negociar]. Então haverá tempo, com base no que foi autorizado dentro da lei , ressaltou.

No final de 2009, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o Brasil a retaliar os Estados Unidos em até US$ 830 milhões. A decisão foi provocada pelos subsídios concedidos pelo governo americano aos produtores de algodão. O processo se estende há oito anos. O setor de medicamentos é um dos principais alvos.