Grécia anuncia novas medidas econômicas e pede solidariedade à Europa

Agência AFP

ATENAS - O governo socialista da Grécia anunciou nesta quarta-feira um novo plano de ajuste para tentar contornar a grave crise econômica vivida pelo país, e que incluirá cortes de salários no setor público além do aumento do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), com o objetivo de economizar 4,8 bilhões de euros (6,5 bilhões de dólares).

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou "muito sólidas" as medidas orçamentárias anuncidas pelo governo grego para enfrentar a crise da dívida, confirmando a aprovação dada ao novo pacote pelo presidente do Eurogrupo (fórum de ministros das Finanças da Eurozona), Jean-Claude Juncker.

Juncker reafirmou que Atenas poderá contar com a ajuda financeira de seus parceiros europeus, caso necessário.

"O presidente do Eurogrupo saúda o anúncio do governo grego de uma série de medidas" de economia, declarou Juncker em comunicado, citando decisões que qualificou de "valentes".

Já a Comissão Europeia considerou que os cortes salariais no setor público e os aumentos de impostos confirmam "o compromisso do governo grego com as medidas necessárias" para tirar o país da crise, disse o presidente do executivo da UE, José Manuel Barroso.

O pacote - o terceiro dos últimos meses - conterá um aumento de 2% do IVA, o Imposto sobre o Valor Agregado, além de altas nas taxações que incidem sobre cigarros, bebidas alcoólicas, combustíveis e produtos de luxo, anunciou o porta-voz do governo, Giorgos Petalotis.

Os cortes chegarão a 30% no pagamento do equivalente ao 13º salário recebido pelos funcionários públicos locais e a até 60% no caso dos que recebem o 14º salário. O valor das pensões também será congelado.

Em troca do esforço, a Grécia espera "a solidariedade da Europa", disse mais cedo o primeiro-ministro socialista Giorgos Papandreou em uma reunião com o presidente Carolos Papoulias, exibida pela televisão pública.

A Alemanha saudou de imediato as novas medidas de austeridade anunciadas por Atenas.

Na segunda-feira, durante uma visita a Atenas, o comissário europeu para Asuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, pediu ao governo grego a adoção de novas medidas para reduzir o déficit público em quatro pontos percentuais (de 12,7 a 8,7% do PIB) em 2010.

A Comissão Europeia informou que ajudaria a preservar a estabilidade do euro, que pouco depois do anúncio de Papandreou era negociado a 1,3670 dólar, o maior nível em cinco dias.

Papandreou afirmou na terça-feira que estava sendo obrigado a adotar novas medidas para evitar o "pesadelo da falência" do país, com o que o Estado se veria impedido de "pagar salários e aposentadorias".