Cuba acusa os Estados Unidos na ONU pela morte de Orlando Zapata

Agência AFP

GENEBRA - O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, responsabilizou os Estados Unidos, ante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, pela morte do preso em greve de fome Orlando Zapata.

"A poderosa máquina do império (americano) não vacila em utilizar um recluso reincidente e punido depois de um devido processo, por crime comum, recrutando-o na prisão, para apresentá-lo como um lutador pelos direitos humanos", disse Rodríguez Padilla referindo-se ao falecimento de Zapata.

"Para obter dividendos políticos espúrios, foi levado à morte, apesar de esmerados cuidados médicos", acrescentou o ministro cubano em alusão a Zapata, que não resistiu, no dia 23 de fevereiro passado, a quase dois meses e meio de greve de fome em cárceres de Cuba.

Tratou-se de uma "nova escalada subversiva, com ampla cobertura da mídia, "lançada contra Cuba", insistiu o ministro.

"Pretendem apresentar mercenários como patriotas, agentes pagos pelos Estados Unidos em território cubano como dissidentes", acrescentou o ministro.

"Durante meio século, Cuba foi vítima de agressões americanas e atos de terrorismo; 5.577 cubanos perderam a vida ou ficaram inválidos", sustentou.

Considerado um "prisioneiro de consciência" pela Anistia Internacional, Orlando Zapata faleceu num hospital de Havana aos 42 anos, depois de 90 dias de greve de fome em centros penitenciários cubanos, em protesto contra as condições carcerárias.