Cidades chilenas mais afetadas pelo terremoto vivem situação de guerra

Agência AFP

SANTIAGO - A cidade de Concepción, uma cidade de meio milhão de de habitantes, 500 km ao sul de Santiago e epicentro do terremoto que devastou o país, ainda não recebeu auxílio alimentar. O desespero da população e a presença de aproveitadores gerou uma situação dramática de saques, o que obrigou a militarização da cidade e a aplicação de um toque de recolher pela terceira noite consecutiva, ampliado a 18 horas entre a noite de terça-feira e o meio-dia de quarta-feira.

As autoridades esperam que nesta quarta-feira, com as ruas vazias, seja possível organizar a entrega de alimentos. A medida de exceção também afeta outros seis municípios: Talca, Cauquenes, Constitución, Curicó, Molina e Sagrada Família.

Para manter a ordem nas duas regiões mais afetadas, o governo enviou 14.000 militares para controlar a situação.

Cenas de guerra são vistas em Concepción, com tanques posicionados em locais estratégicos e patrulhas com soldados armados percorrendo as ruas.

Mas diante dos saques e crimes, os moradores se viram obrigados a criar grupos de autodefesa, com barricadas e fogueiras. As armas são paus e pedras em muitos casos.

Cidades próximas a Concepción, como o porto de Talcahuano, afetado por uma tsunami, vivem no escuro e estão expostas a saques.

- À noite os vândalos aparecem em nossas casas, que estão expostas. Assim, juntamos tudo o que conseguimos e colocamos fogo fuego para nos aquecer e, assim, cuidar das coisas na porta de nossas casas - afirma Antonio González, morador da cidade portuária.

Se Concepción dá a sensação de isolamento, a situação parece ainda mais crítica nos balneários da costa do sul-centro do Chile, onde as ondas gigantes fizeram o maior estrago.

Pulluhue, Cobquecura, Dichato e Constitución são cidades que foram destruídas pela força da água e onde há mais desaparecidos.

Nas últimas horas a inquietação também aumentou a respeito das centenas de turistas que passavam os últimos dias de verão na região.