Voos com turistas chilenos começam a deixar o Brasil

Portal Terra

BRASÍLIA - O embaixador do Chile no Brasil, Álvaro Díaz, disse que partem nesta madrugada, de São Paulo, voos da companhia TAM para o aeroporto da capital chilena, que voltou a operar nas últimas horas. A companhia aérea LAN também informou na segunda-feira que reiniciará hoje, de maneira restrita, suas operações nacionais e internacionais no aeroporto de Santiago, atingido pelo forte terremoto do fim de semana no Chile.

Pelo menos mil chilenos que estavam impossibilitados de voltar para casa devem deixar o Brasil, de acordo com a Embaixada do Chile. Eles aguardam desde a última sexta-feira voos com destino a Santiago, que foram suspensos devido aos danos causados pelo terremoto que atingiu parte do país.

Voos charteres com capacidade não confirmada devem sair de Camboriú (SC) entre amanhã e quinta-feira. Díaz explicou que os passageiros retidos no Brasil precisam ter paciência e compreender que todos os esforços estão concentrados no atendimento às vítimas do terremoto.

"Os chilenos tem que entender que a prioridade é atender as vítimas da catástrofe, coordenar a ajuda humanitária. A segunda tarefa é ajudar os turistas chilenos a voltar", afirmou.

A estratégia da embaixada é convencer as companhias aéreas a aumentar o número de voos. O embaixador reconhece o problema da falta de alojamento e de alimentação adequada para quem está retido em aeroportos, mas pede compreensão e solidariedade.

No Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, cerca de 70 chilenos estão alojados desde o fim de semana. Os passageiros receberam mantas das companhias aéreas e doações para comprar comida.

Durante reunião de mais de duas horas com o cônsul do Chile no Rio de Janeiro, Horácio Del Valle, os representantes dos passageiros pediram reforço nas negociações com as companhias, ajuda para comprar comida, informações sobre as áreas devastadas pelo terremoto e auxílio para organização de uma lista de embarque com prioridade para quem tem parentes nesses locais ou deveria ter embarcado no fim de semana.

"Está será a minha quinta noite aqui (no Aeroporto do Galeão)", disse a contadora Denise Mari. "Estamos muito humilhados, com comida racionada. Está muito ruim."

Del Valle, que também se encontrou com os administradores da Infraero e das companhias aéreas, destacou um funcionário do consulado para facilitar a troca de informações no local, mas esclareceu que a situação pode demorar para se normalizar, prejudicando cerca de 2 mil turistas chilenos no Rio.

"Não sabemos como será resolvida a situação da frequência de voos, porque isso vai depender da solução do problema. Se as companhias mantiverem apenas os voos de linha, vai demorar muito", afirmou. "Com voos extraordinários, poderemos resolver daqui até segunda-feira."

Ao fim da tarde, a TAM confirmou que voltou a operar parcialmente no Aeroporto de Santiago de onde deve decolar anda hoje um avião com destino a São Paulo.

Amanhã, estão previstos dois voos partindo de Guarulhos para a capital chilena. Na nota da empresa, não há informações sobre saídas de voos do Rio de Janeiro.

De acordo com o cônsul, as companhias aéreas descartaram operar em aeroportos no Norte do Chile e na Argentina, alegando que os terminais estariam com a capacidade acima do limite.

"A situação está muito distante de ser normal. Estamos trabalhando para poder reiniciar apenas 15% das operações domésticas e internacionais", disse Ignacio Cueto, gerente-geral da LAN.

A empresa, uma das maiores companhias aéreas da América Latina, disse que até quinta-feira a prioridade será transportar de e para Santiago os passageiros que foram afetados pelos cancelamentos dos voos. "Espera-se que a partir de sexta-feira desta semana as operações passem a se normalizar", disse a LAN em comunicado.