EUA: Comissão Baleeira busca novas restrições à prática

Jornal do Brasil

FLÓRIDA - A Comissão Baleeira Internacional (CBI) iniciou, terça-feira, uma série de reuniões na Flórida, nos EUA, para tentar solucionar a polêmica entre japoneses fervorosos defensores da caça às baleias e os países que querem proibi-la.

Como prelúdio do encontro a portas fechadas, nas últimas semanas as tensões entre Japão e Austrália, dois países com litoral no Oceano Pacífico, vem aumentando, especialmente após o anúncio por parte do Japão de que pediria a retomada da caça comercial do cetáceo.

Os participantes da reunião realizada em St. Pete Beach, balneário da costa da Flórida, devem se pronunciar sobre um projeto de compromisso que autorizaria o Japão a continuar a caça científica, mas sob um controle estrito e aceitando uma redução drástica da quantidade de cetáceos caçados.

Segundo este projeto, para detectar a pesca ilegal, os navios seriam monitorados por sistemas de vigilância via satélite e seriam feitas análises de DNA em amostras de carne de baleia, frequentemente vendida em restaurantes do Japão.

A proposta da CBI também instauraria uma espécie de santuário baleeiro no Atlântico Sul, em uma área onde os países com litoral, como a África do Sul e o Brasil, se opõem à caça de baleias.

Entre os que se opõem à proposta estão os ativistas da Sea Sheapard, uma ONG cuja missão é impedir a pesca ilegal mesmo que isso signifique afundar baleeiros. O Greenpeace e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) também condenaram o projeto.

Seria um retorno à pesca comercial, como se praticava no século 20 afirmou Phil Kline, do Greenpeace nos EUA.

Desde 1986 a CBI impõe uma moratória ilimitada que prescreve a caça comercial de baleias. No entanto, a organização autoriza, segundo cotas precisas, a caça com fins científicos , hoje praticada sobretudo no Japão.

Noruega e Islândia, no entanto, também se negam a cumprir a moratória da CBI e continuam caçando com fins comerciais. Desde a adoção da moratória, 24 anos atrás, Noruega, Islândia e Japão já mataram 30 mil baleias.