Em Camboriú, chilenos têm apoio oficial. No Rio, acampam no aeroporto

Jornal do Brasil

RIO - Enquanto no Rio, turistas chilenos ainda aguardavam terça-feira para embarcar de volta para casa no Aeroporto Internacional do Galeão sem qualquer orientação das empresas aéreas ou assistência do poder público da cidade, em Balneário Camboriú, litoral norte de Santa Catarina, a situação era bem diferente. Em parceria com a rede hoteleira, a prefeitura local vem custeando, desde domingo, as despesas de hospedagem e alimentação dos chilenos que estavam de férias na região e não puderam voltar para casa devido ao terremoto que, no sábado, devastou partes do litoral chileno.

Terça-feira, o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, reuniu-se com o prefeito do Balneário Camburiú, Edson Piriquito, para garantir que o Estado apoiará a prefeitura nas despesas com as centenas de turistas que permaneciam em hotéis no município, apesar de muitos já terem conseguido embarcar terça-feira mesmo em voos fretados pelas agências de turismo responsáveis por seus pacotes de viagem.

Viemos aqui para garantir que nada faltará a esses turistas afirmou Silveira.

Durante a reunião com o governador, o turista chileno Jovino Tapias fez um agradecimento emocionado às autoridades locais. Ele destacou que, apesar da apreensão causada pelo terremoto em seus país, estavam recebendo um tratamento especial em Balneário Camboriú. Falando em nome dos demais turistas, ele disse que não levará da região apenas a imagem das riquezas naturais, mas que descobriu a maior riqueza do povo brasileiro, que é sua solidariedade. Enquanto isso, no Aeroporto Internacional do Rio, chilenos largados à própria sorte protestavam contra o que eles qualificavam de complacência das autoridades .

Estado de vulnerabilidade

Na segunda-feira, em Camburiú, para que o município assumisse as despesas dos turistas chilenos, o prefeito decretou Estado de Vulnerabilidade Temporária.

Nós não podemos deixar essas pessoas desabrigadas, sem hotel e sem alimentação frisou Piriquito. Muitas vieram com o dinheiro contado para apenas os dias do pacote turísticos e o poder público tem essa obrigação, porque além de serem seres humanos, é a imagem de nosso município e nosso Estado que está em jogo.

Piriquito destacou que pediu o apoio dos hotéis e restaurantes para que, mesmo num momento tão difícil para os chilenos, eles possam levar sempre uma boa imagem de Balneário Camboriú .

Turistas protestam no Galeão: Queremos un avión!

Caio de Menezes

Perto de uma centena de chilenos aguardava, terça-feira, um voo de volta para o Chile no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Entre eles, o clima era de revolta devido a falta de informações e cuidado por parte das companhias aéreas, que era acentuado com a angustiante preocupação pela ausência de notícias sobre parentes e amigos.

Funcionária do Tribunal de Justiça de Santiago que passava férias no Brasil, a jurista Marcela Garcia, de 29 anos, reclamava da falta de assistência por parte da empresa aérea pela qual tem passagem comprada.

- Na segunda-feira, a TAM ainda nos deu um cobertor e água. Hoje, nem isso. Meu dinheiro está acabando, não sei até quando terei de ficar aqui. Não nos respeitam como consumidores e muito menos a nossa dor e a tragédia que estamos vivendo relatou.

Já a professora de história Matilde David, de 54 anos, chamou a atenção para o contraste entre os cuidados recebidos no Rio de Janeiro, onde faria a conexão para Santiago, e na Alemanha, de onde vinha depois de cumprir compromissos profissionais.

Lá nos deram acomodação e alimentação. Aqui falta tudo, principalmente respeito definiu Matilde, que, junto com seus conterrâneos, puxava o coro: Queremos un avión, queremos solución!!! .

Apelo

Já a dona de casa Ana Arias criticou as autoridades brasileiras e propôs uma solução ao problema.

Se fosse o contrário, os brasileiros não seriam tratados pelos chilenos da forma como nos estão tratando neste aeroporto. Nossa situação é triste e acho que a Michelle Bachelet deveria enviar um navio militar para nos resgatar desta situação, próxima do cárcere.