Juiz acredita em envolvimento da Venezuela em operações do ETA e Farc

Agência AFP

MADRI - Um juiz espanhol acredita que houve "cooperação governamental venezuelana" nas relações de colaboração entre membros do ETA e das Farc que planejavam um atentado na Espanha contra autoridades colombianas, entre elas o presidente Alvaro Uribe, informaram nesta segunda-feira fontes judiciais.

O juiz Eloy Velasco considera em seu auto de processo que os seis supostos membros do ETA e sete das Farc "utilizaram a cooperação governamental venezuelana na ilícita colaboração entre as Farc e a ETA".

Velasco, juiz da Audiência Nacional (principal instância penal espanhola) considera que isso ocorre especialmente no caso do suposto membro do ETA Arturo Cubillas Fontán, um dos processados.

Cubillas está casado desde 1990 com a venezuelana Goizeder Odriozola Lataillade, que teve cargos públicos no governo venezuelano do presidente Hugo Chávez, e o mesmo trabalhou em 2005 no gabinete de Administração e Serviços do ministério de Agricultura e terras da Venezuela, segundo o auto judicial.

O suposto ativista foi o "dirigente do grupo ETA nesta área da América desde 1999, encarregando-se de coordenar as relações com as Farc e a participação de integrantes do ETA em cursos de explosivos e armamentos e na difusão de técnicas de guerrilha urbana terrorista", segundo o juiz Velasco.

Fontán é acusado pelo juiz, junto com os membros das Farc Edgar Gustavo Navarro Morales e Víctor Ramón Vargas Salazar, de "crime de conspiração para cometer homicídios terroristas".

De acordo com o juiz, as Farc "pediram ajuda a membros do ETA para localizar na Espanha o ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, a ex-embaixadora colombiana na Espanha, Noemí Sanín, o ex-candidato a presidência e duas vezes prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, e o vice-presidente colombiano Francisco Santos, com o objetivo de atentar contra a vida de algum deles durante sua permanência na Espanha".

Na lista, também acrescentaram "no passado o já falecido Bernardo Gutiérez Zuluoga, Carlos Adilla Lulle e, mais recentemente, o presidente da Colômbia Alvaro Uribe", afirmou o juiz.