Japão ordena evacuação costeira em massa por ameaça de tsunami

Agência AFP

SENDAI - Centenas de milhares de pessoas foram evacuadas neste domingo da costa norte do Japão, onde vários maremotos de mais de um metro de altura atingiram o litoral pacífico japonês em consequência do violento terremoto de sábado no Chile.

O nível do mar subiu bruscamente e os diques não conseguiram conter as águas, que cobriram os molhes de vários portos na costa setentrional do Japão. Entretanto, ainda não foram reportadas vítimas ou danos significativos.

A agência meteorológica japonesa previa um maremoto de grandes proporções, devido ao tremor de magnitude 8,8 que atingiu o Chile na madrugada de sábado. Por isso, emitiu nas primeiras horas deste domingo um alerta vermelho de tsunami - o primeiro em 15 anos -, prevendo ondas de até três metros de altura.

Às 10H01 GMT, no entanto, as autoridades reduziram o nível de alerta para "normal", apesar do centro americano já ter suspendido seus alertas para todos os países com litoral no Oceano Pacífico.

A medida afeta as cidades de Aomori, Iwate e Miyagi, ao norte da ilha de Honshu, a principal do arquipélago japonês. Estas localidades são as mais expostas ao risco de um forte maremoto, acompanhado por ondas de três metros de altura ou até mais, segundo a agência meteorológica japonesa.

Contudo, o nível "normal" de alerta de tsunami não significa uma suspensão das recomendações de precaução divulgadas pelos meios de comunicação e pelas autoridades locais, já que outros maremotos podem alcançar o Japão nas próximas horas, segundo a agência.

Ao todo, 320.000 pessoas receberam ordem de evacuação em Aomori, Iwate e Miyagi. Elas foram retiradas principalmente das áreas costeiras e abrigadas em colégios e edifícios públicos, onde foram estocados mantimentos, galões d'água e mantas.

"As ondas chegaram aproximadamente uma hora depois do previsto", declarou Yasuo Sekita, da agência meteorológica.

No porto de Kuji (em Iwate), o nível do mar subiu 120 centímetros repentinamente às 06H49 GMT, 40 minutos após um maremoto de 90 cm, segundo a agência. Outras ondas de menor tamanho foram registradas em vários pontos da costa do Pacífico a partir das 04H47 GMT.

No porto de Otsuchi, na mesma cidade, uma sonda mediu a elevação das águas em 145 centímetros, mas a agência meteorológica ainda não confirmou este dado.

Um tsunami de mais de um metro é suficiente para provocar graves inundações e danificar barcos atracados no porto.

"Não se aproximem da costa por nada neste mundo", apelou o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, em uma mensagem transmitida em rede nacional. "Não devemos baixar a guarda", acrescentou.

O ministério da Defesa do Japão ordenou patrulhas aéreas do litoral pacífico, que tem 3.000 km de extensão, para identificar tsunamis.

O tráfego de várias linhas férreas foi suspenso, e a estrada que liga Tóquio a Nagoya, no centro do país, foi parcialmente fechada. Os trens de alta velocidade, por outro lado, circulam normalmente, e o aeroporto de Tóquio-Haneda não teve voos cancelados.